Brinquedo: menino ou menina?

Ontem, fomos à uma loja de brinquedos comprar algo que estimulasse e gastasse a energia da nossa frenética Bia. Priorizamos a recomendação por idade. Ao pedir auxílio ao vendedor, ele nos trouxe uma Cozinha da Fisher-Price, atentando-se ao detalhe que ela é uma menina. Beatriz mostrou interesse pela tal Cozinha, o que ela ainda não havia demonstrado com outros brinquedos que mostramos a ela, por isso resolvemos comprar.

Porém, no caminho para casa, a tal Cozinha nos levou à reflexão do quão machista ainda é nossa sociedade. O brinquedo é recomendado para meninas a partir dos seis meses. A versão para meninos desta linha é um campo de construção, com britadeira e afins. Ou seja, desde cedo mostramos para nossas crianças o lugar de cada um nesta sociedade atrasada.

Claro, não é apenas um brinquedo que vai moldar o caráter da criança afim de torna-la uma mulher submissa ou um homem machista, mas todo o conjunto da educação que damos à ela. Homens e mulheres devem sim cuidar das tarefas domésticas, da mesma forma que homens e mulheres podem sim exercer as mesmas funções no mercado de trabalho.

Isso me lembrou um post que li no blog da mãe americana, Liz Gumbinner, o Mom-101, onde ela relatava uma ocasião vivida no drivre-trhu do McDonald’s. Liz conta que pediu um lanche para suas filhas, daqueles que acompanham brindes para as crianças. A atendente perguntou: “menino ou menina?”. Liz confusa com a questão, questionou “desculpe, como?”. Novamente a atendente perguntou: “menino ou menina?”

Liz tomou o cardápio para ver se havia um tipo de maçã para meninos e outro para meninas, porque ela não estava entendendo a pergunta da atendente. Então ela se deparou com as opções de brindes: o super Ben 10 do espaço que faz mil e uma coisas ou um chaveiro de sapato brilhante. Chateada pela reles descrição menino ou menina fornecida pela a atendente, que, de certa forma, impunha aos pais escolherem para seus filhos o brinquedinho de acordo com o sexo da criança, Liz respondeu: menino.

Suas filhas sem entender nada, perguntaram porque ela havia dito que eram meninos. A mãe esclareceu, de forma muito sábia, que meninas também podem ser heroínas e meninos podem gostar de sapatos brilhantes. O correto era a atendente dizer as opções dos brinquedinhos a serem escolhidos e não forçar os pais a escolherem por conta do gênero.

Isso mostra que esta segregação de acordo com o gênero é imposta às nossas crianças desde muito cedo e isso independente da cultura. Às vezes consumimos estes conceitos sem nem sequer perceber e perdemos oportunidades valiosíssimas de ensinar valores mais abertos e justos aos nossos filhos.

Beatriz brincando com a cozinha da fisher price

 

Bia gostou da Cozinha da Fisher-Price não por ter consciência plena de ser uma menina e que o lugar da mulher é na cozinha, longe disso, afinal ela só tem 6 meses. Ela gostou porque o troço toca várias musiquinhas, que ela adora, e tem vários itens para ela colocar na boca, único objetivo na vida dela hoje.

3 comments

  1. dani urbano says:

    Eu tenho um menino de 5 meses e até hoje tudo que da pra colocar na boca ou faz barulho ele fica atraido. Entao se eu der uma boneca pra ele que canta ou grite ele vai gostar. Eles só vão ficar com besteira quando tiverem grandes.

    • Jéssica Macêdo says:

      Exatamente. Eles são inocentes e a gente acaba tirando isso deles com essas segregações de gênero.

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