Disque 100 e denuncie o abuso e exploração sexual de crianças

Hoje, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Triste necessitarmos de uma data como essa. Criança, só por ser criança, deveria ser imune a todo e qualquer abuso contra seu corpo e sua mente.

Como não há nenhum bloqueio natural contra tais práticas, é bom reforçar a importância de cada um de nós na proteção de nossas crianças. Mães, pais, amigos, todos os que participam da vida da criança e do adolescente de alguma forma é responsável pela preservação dos seus direitos. A sociedade é. Por isso, se você suspeitar, não hesite em denunciar pelo Disque 100.

A data, 18 de maio, foi escolhida para esta celebração por um acontecimento muito triste vivido pela sociedade brasileira. Quem conta a história é Talita Lopes Cavalcante, que trabalha com Administração de Imagens Históricas, por sugestão de Patrícia Hamilton.

Araci

Araceli Cabrera Crespo

O dia de 18 de maio, infelizmente, foi baseado numa história que chocou a sociedade brasileira durante as décadas de 70 até 90 (quando se deu o fim definitivo do caso, em 1991).

Foi um dos casos mais violentos e delicados que o estado do Espírito Santo conheceu, mas que trouxe e ainda traz um alerta ao Brasil.

Há exatamente 40 anos, Araceli Cabrera Crespo, uma menina de 8 anos, saia mais cedo da escola a pedido de sua mãe; dirigiu-se ao ponto mais próximo e seguiu em direção ao centro de Vitória, como fora pedido no bilhete deixado na escola com a assinatura de Dona Lola Sanchéz. Após esse dia, Araceli nunca mais foi vista com vida.

Passado um tempo sem ter notícias da filha e preocupado pelo fato da menina não ter voltado para casa, Gabriel Crespo, o pai, entrou no carro da família e seguiu à procura da criança, porém sem sucesso. Por 6 dias ninguém teve qualquer notícia sobre o paradeiro de Araceli, até que dia 24 de maio, enquanto caçava passarinhos num terreno baldio atrás do Hospital Infantil de Vitória (Hospital Jesus Menino), um menino encontrou os restos de uma criança.

A partir daí começava a surgir a história bizarra que envolvia famílias ricas, drogas, estupros e torturas.

Durante muito tempo, o corpo encontrado no terreno foi deixado intocado na gaveta do Instituto Médico Legal (IML), pois ninguém tinha coragem de investigar o caso que envolvia as famílias mais poderosas do Espírito Santo; dentre elas, estavam os Michelini e os Helal, ambas com ligações no governo (político e jurídico) e conhecidas por usarem drogas e violentar meninas.

Quem se atreveu a dar continuidade ao caso foi eliminado; foram 14 testemunhas mortas. A mãe da menina também foi apontada como suspeita, pois Lola Sanchéz, de nacionalidade boliviana, era a ligação do tráfico de drogas entre a Bolívia e o Brasil, e teria usado a própria filha como “mula” ao pedir à garota que entregasse um pacote a Jorge Michelini, um dos suspeitos de morte da criança.

Ao chegar onde deveria ser entregue o envelope, a menina foi drogada, estuprada, mutilada e seu corpo recebeu uma dose de ácido para dificultar a identificação. Os três suspeitos do crime, Jorge Michelini, Dante Michelini Júnior e Paulo Helal nunca foram condenados.

O corpo de Araceli só foi enterrado 3 anos depois de seu assassinato e a data 18 de maio, dia em que desapareceu, foi escolhida para celebrar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, visando conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a gravidade dos crimes de violência sexual cometidos contra menores.

 

– AMORIM, Ana Paula. “1973 – Araceli, vítima da crueldade”. Jornal do Brasil. 18 de maio de 2008.
<http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=8524>

– Comite Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.
<http://www.comitenacional.org.br/o-que-e-18-maio-000.php>