#Resenha | Somos Tão Jovens, o filme sobre Renato Russo

Um ano sem ir ao cinema, re-estreei minha presença em sala de telona com o filme “Somos Tão Jovens“, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, que conta a trajetória do músico e compositor Renato Russo. Não deixei de ver filmes, só deixei de ir ao cinema. Primeiro porque, quando estava lá pelos 6 meses de gestação, com o ruído sempre exagerado do cinema, Beatriz saltava horres na minha barriga. Depois, ela nasceu e não tive, até então, tempo e disposição somados para ir ao cinema.

Enfim, neste domingo(12) tirei a barriga da miséria e assisti a dois filmes (Somos Tão Jovens e Homem de Ferro 3). Vou falar só do primeiro, por enquanto.

Gostei da forma como começaram o filme, contextualizando o interesse e aprendizado do Renato pelo punk devido à uma doença óssea, epifisiólise,  deslocamento do osso que faz a parte mais próxima da articulação do fêmur se deslocar da bacia, o que o deixou por muito tempo em repouso em sua cama. De verdade, eu não sabia disso e gostei do resgate feito no filme.

Entretanto, principalmente no começo do filme, achei algumas figuras de linguagem e trechos de músicas usados nas falas meio forçados. Também achei caricata a figura do Herbert Viana em todo o longa. Ainda fiquei em dúvida se a postura da mãe de Renato foi realmente aquela quando ele falou sobre seu interesse em meninos. Outra coisa, será que em meio a ditadura o pai de Aninha, amiga de Renato, era tão complacente com a atitude dela? Afinal, o cara era militar. Entendi que o objetivo do filme não era ser profundo nestes aspectos, mas sei lá, ficou meio sem sentido.

Por outro lado, adorei saber a história de algumas canções, como “Ainda é Cedo” e “Química“.  Legião Urbana faz parte de uma fase muito especial na minha vida, que sim, não faz muito tempo, a adolescência. Aquela cena de Renato andando e “Eu sei” como BG, me lembrou de vezes que saía para encontrar amigos e, em pensamento, ouvia algumas canções como esta ao longo do caminho percorrido sozinha.

Na sessão, foram engraçadas as vezes que ao tocar alguma música no filme, as pessoas na sala cantavam junto. Parece automático de tanto que Legião Urbana está presente na vida de diversas gerações. Aliás, quando disse que iria escrever sobre o filme fui prontamente “prevenida”sobre falar do que não sei. Afinal, eu nasci no fim dos anos 80 e tinha penas 7 anos quando Renato Russo morreu.

Mas, Legião Urbana vai além da idade e do tempo espaço onde você nasceu e onde existiu a banda. Por serem histórias cantadas, muitas das letras acabam se encaixando na vida de cada um. Foi assim comigo e não duvido que será assim com Beatriz.

No geral, posso dizer que gostei do filme. Foi leve, mostrando a figura de Renato. Um camarada cheio de manias, muito chato, do tipo que ou você é amigo ou não suporta nem ver. Me senti instigada a voltar a ouvir os discos do Legião e a ler mais sobre a história das canções. Por exemplo, na música “Leila”, de quem Renato fala? É da Leila Pinheiro?

Para quem se interessa pela história do rock em Brasília, recomendo o filme. Apesar de não ser muito específico neste longa, já dá para se ter uma ideia.  Oh o trailer.

Acesse o site do filme para conhecer o elenco e a equipe de produção de Somos Tão Jovens

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