Um pouco sobre ser mãe

Depois de me tornar mãe, passei a entender um pouco mais toda aquela encheção de saco dedicação dada pela minha mãe a mim e aos meus irmãos. É quase sobrenatural, é mágico, é infinito, é de verdade. Você passa a se sentir tão responsável por outra vida, que muitas vezes esquece de você.

Quando se é só filha(o), não reconhecemos os esforços paternos para nos dar o mínimo de conforto, estudo, carinho, amor, tudo isso ao mesmo tempo ou em parte, de acordo com as condições de cada pai. Nosso mundo é tão nosso, que não percebemos o alguém responsável por sua existência. Então, um belo dia, você se torna mãe/pai e, como num passe de mágica, cada palavra, por mais dura, dita por seus pais passa a fazer tanto sentido, que a sua vontade é de dizer: obrigada por aquele sermão, por aquele dia sem televisão, por todas as vezes proibida de ir à rua. Posso até ouvir, de novo, as tantas vezes que minha mãe dizia: “um dia, você irá me agradecer por isso!”. Eu tinha certeza que não. Agora estou aqui, mostrando que eu estava errada: eh! dona mãe, você tinha razão.

É assim que me sinto, um reflexo do meu passado, da minha criação. Sempre que me perguntam, “e aí, como está a vida de mãe?”, sinto vontade de responder: foi praga da minha mãe para eu aprender de uma vez por todas que ela estava certa e eu errada. Porque ser mãe é uma lição nova a cada dia. Não é esse paraíso todo ilustrado em propagandas de televisão, em canções de amor. Nada disso!

Ser mãe é esforço, é sacrifício, é abrir mão de si mesma para ver outro alguém sorrir. Ser mãe é emoção à flor-da-pele, para sorrir ou para chorar. Ser mãe é dedicar-se tanto até o ponto de ter vontade de sumir. Lembro-me das vezes em que, no meio de conflitos de irmãos, minha mãe falava: se vocês não sossegarem, eu vou sumir e nunca mais ninguém me acha. Antes eu achava ser pressão dela para nos fazer calar, hoje entendo que realmente dá vontade. Vontade que dá e passa, viu?!

Porque, acima de tudo, o que move o ser mãe é o amor. O amor que pode vir desde o dia em que você descobriu a gravidez, o amor que pode demorar a aparecer depois do parto, o amor por um ser que muitas vezes nem foi gerado por você, mas se cria tal qual o fosse. É o amor que sublima todas as dificuldades, os desentendimentos, as irritações, as frustrações. Só tenho mesmo, neste meu primeiro dia das mães, que agradecer esta oportunidade incrível de repassar para alguém tudo aquilo que recebi da minha mãe.

Vó, mãe e filha

Vó, mãe e filha – Beatriz com apenas 13 dias de vida

Um beijo para todas as mamães, especialmente para a minha que é fonte de inspiração em tudo na minha vida. Um beijo e uma mordida na minha pequena Beatriz, que veio ao mundo com a missão especial de me fazer descobrir o meu melhor lado, a minha mais pura essência.

Ah, e como está a vida de mãe? Está ótima, obrigada! rs

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