Para que serve um andador?

Para que serve um andador? é um artigo que consta no Livro da Maternagem e é de autoria do matemático, físico e Comoslogista, Ernesto von Rückert. Do qual só trarei um trecho aqui:

O ato de andar é uma contínua interação sensório-motora. A cada fração de segundo, os nervos sensoriais informam o estado de pressão e equilíbrio da musculatura esquelética e respondem com contrações e relaxamentos de grupos de músculos para possibilitar o andar. É preciso adequar o esforço a um objetivo consciente predeterminado. Não é nada simples e não é inato. Todas as etapas têm que ser cumpridas para assegurar o perfeito domínio corporal, desde o simples levantamento da cabeça quando está de bruços até a completa locomoção a pé. A fase de engatinhar, se suprimida, deixará de estabelecer conexões neurológicas importantes, inclusive para o desenvolvimento da inteligência, pois nisso tudo também se coordenam percepções auditivas, olfativas, táteis e visuais, que se ligam ao controle motor que dirigirá o corpo para lá ou para cá. (Rückert, 2012 p. 226)

 

O uso do andador pode fazer com que a criança pule estas etapas, perdendo importantes conexões neurológicas irrecuperáveis por toda a vida. Rückert ainda afirma a restrição à liberdade provocada pelo andador. E que seu uso é comodidade dos cuidadores da criança e nada beneficia o desenvolvimento dela.

Associações pediátricas ao redor de todo o mundo têm abolido os andadores. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) iniciou campanha nacional para abolir os andadores para bebês.

A entidade afirma que o equipamento é inútil para o desenvolvimento da marcha de bebês e que seu uso pode causar acidentes sérios como traumas no cânio chegando a levar à morte. O aparelho pode também deixar de estimular certos músculos, o que vai atrasar os primeiros passos, segundo os médicos. (Folha de S.Paulo 21/01/13)

 

Se você acha que isso é coisa de pediatra brasileiro que não tem o que fazer, saiba que os dados que norteiam as ações da SBP são da Academia Americana de Pediatria que apontam dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade, provocados por acidentes com andador, todos os anos.

Experiência pessoal:
Com Beatriz não usei andador, apesar de pensar nas milhões de vezes que ele teria sido mais cômodo pra mim. Aos 8 meses ela começou a ficar em pé e em seguida a se agarrar as coisas para mudar de lugar. Com isso ajudávamos a dar alguns passinhos com apoio. Com 10 meses e 3 dias ela simplesmente começou a dar três passinhos por conta própria, sem apoio. Ela ainda não completou 11 meses, mas já anda pela casa toda sem apoio. Tudo aconteceu de forma natural, ela engatinhou, se ergueu, se apoiou e agora anda.

O vídeo acima foi feito no dia que ela começou a dar os primeiros passinhos, no dia 16 de agosto. O de baixo foi filmado em 29 de agosto, e ela já está praticamente correndo ahahaha.

Com a palavra, a pediatra:

O uso do andador é contraindicado principalmente por causa do risco de acidentes. Além de ser um produto caro e desnecessário, não ajuda o caminhar fisiológico da criança, que precisa desenvolver o cerebelo (equilíbrio) e o tônus muscular. Mais barato seria o uso das meias protetoras de joelhos 😉 e são tão fofinhas!!!

 

O andador, na minha opinião, é uma arma que você coloca na mão do seu bebê, porque ele vai ter uma liberdade que ele mesmo não sabe administrar. Em um milissegundo ele pode rolar pelas escadas pensando que pode, porque com o andador, tudo fica mais fácil.

 

Nos dois casos de andador [o tradicional em que a criança se posiciona no centro de uma estrutura; e o que a criança anda ao empurrar como se fosse um apoio], um não fortalece as pernas por ter uma sustentação (músculos fracos) e o outro vai deslocar o ponto de equilíbrio pra frente. Numa formação, o mais fisiológico possível deve ser estimulado, principalmente por causa dos desvios de coluna. Essa é a minha opinião pessoal.

 

Acho caro, desnecessário, perigoso e se é uma soma que vai diminuir, melhor poupar o investimento com algo mais “lucrativo”, digamos assim. (Jazz lá Vie é médica humanista, com residência em Pediatria pela Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará)

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