#resenha | Livro Histórias de pais, memórias de filho

historiasdepaimemoriasdefilhoHistórias de pai, memórias de filho é um daqueles livros para ler e reler por toda a vida. Do jornalista André Giusti, o livro infanto-juvenil traz relatos de alguém que é pai, mas antes de tudo é filho, nos levando a interessantes reflexões sobre os nossos laços familiares. A publicação é curta, e em menos de uma hora você viaja por estórias que você também poderia ter vivido de alguma forma.

Se você for dessas pessoas que, assim como eu, tem um quê de saudosismo sempre à flor da pele, pode até chorar. A narrativa te faz viajar no tempo, entender como as escolhas feitas lá atrás podem influenciar na sua conduta como pai ou mãe. Histórias de pai, memórias de filho ainda desvenda a ligação entre pais e filhos, deixando à vista pequenas sutilezas nas relaçōes parentais que tornam os elos mais fortes ou mais fracos.

– Pai, Deus é doido mesmo, viu?

Pego de surpresa, o pai parou de mastigar e ficou olhando a pequena, decidida em seu conceito. Ainda calado, metade da folha de alface para da boca, ele pedia: explique-se, minha filha!

Não se fez de rogada, e para defender o que pensava, exibiu os dentes alinhados em um sorriso pronto. No lugar dos dois de cima, apenas o vão da gengiva vazia, por onde começava a se despedir sua primeira infância.

Desfez o riso, trocou-o por uma cara solene. Era o que estava de acordo com opinião tão polêmica.

– Ora, pra que tirar nossos dentes e colocar outros no lugar? Por que não faz a gente logo com os dentes que vão ficar pra sempre?
O pai, que de dentes só entendia de trincá-los com as aflições da vida, baixou os olhos até o prato. Sumiu na boca e no silêncio a outra metade da alface. Vencera-o a lógica daquela fervilhante cabeça de de seis anos. (Giusti, 2013 p.19)

 

O livro é exatamente aquilo que ele colocou na dedicatória, na noite de autógrafos: “Para Jéssica, minhas histórias de pai e filho. Para seu coração de mãe e filha!”. Exatamente isso, me sinto tocada tanto na figura de mãe, mas principalmente como na de filha. Obrigada, André, por partilhar conosco as nuances da vida.