Aprendi com a maternidade

Eba!, estamos a poucas horas de 2014! Uma folha em branco para escrevermos e reescrevemos mais um trecho da nossa jornada. Mas, para fazer isso com  maestria é preciso refletir sobre aquilo que já foi, já passou e isso eu aprendi com a maternidade. Então, aproveitando o momento de reflexões, a oportunidade de vida nova e o tema maternidade, inauguro o  primeiro post do ano com o ensaio “aprendi com a maternidade”. Diversas lições que 2013 me deu após me tornar mãe em 2012.

Aprendi com a maternidade que:

o autocontrole é fundamental. Você ama a criatura muitas vezes até mais do que si a mesma, mas tem dias que a vontade de matar é grande. Noites sem dormir, seguidas de uma cara derrotada no espelho, acompanhadas de planos que não dão certo e um bebê se esgoelando de chorar afetam sim nossos neurônios. Mas aí é preciso respirar fundo, pensar na paz e pedir a Deus muita paciência porque se ele der outra coisa, você será capaz de matar um.

você sempre esteve certa, até se tornar mãe. Antes de me tornar mãe, julgava toda criatura com cara de mãe no supermercado acompanhada de uma criança com cara de choro ou dando birra. “Filho meu não vai fazer essas coisas comigo não! Que absurdo. Isso é coisa de mãe que…” Ledo engano. Paguei a língua! Os filhos simplesmente descobrem o mecanismo da birra, claro que a cabe a nós educá-los quanto a isso. Mas a primeira birra da Bia comigo no supermercado foi assim, do nada. Fui pega de surpresa. Até então, nunca tinha passado por isso. E ela não queria nada além de colo. Mas fez todo aquele show de gritar, se jogar no chão, me dar tapas na perna. Tudo que ela nunca havia feito. Mas vi olhares por todas as partes fazendo os mesmo julgamentos que eu havia feito antes.

você vai pagar sua língua muitas vezes na vida. Antes de engravidar pela segunda vez, criticava toda criatura intitulada mãe que emendava uma gravidez na outra. “Que louca! Não tem juízo. O outro nem foi desmamado ainda e já está grávida de novo. Será que sabe o que é preservativo?”. Beatriz estava de oito meses quando engravidei pela segunda vez e, sim, me fiz todas as críticas acima, mas muita gente soube ver o lado bom disso e me tranquilizou. Pra quê julgar? Ajudar é muito mais promissor.

você não é a única a passar por isso. Apesar de sempre encontrar uma criatura na fila do supermercado pra dizer “nossa, está grávida e já tem um bebê. Corajosa, hein!?” encontrei várias pessoas que estão vivendo ou já viveram esta mesma situação. Teve uma mãe que, no parquinho da quadra, me deu diversas dicas. A diferença de idade dos filhos dela é a mesma entre Bia e o bebê que nascerá em breve.

filhos podem surpreender nos momentos mais críticos, mesmo sem entender direito o que está acontecendo. Desde a gravidez da Bia tenho problemas com dores ciáticas. Nesta gravidez tudo parece ter piorado. Outro dia, fui fazer um alongamento para tentar aliviar e não conseguia nem mover minha perna. Comecei a chorar e vi Bia descendo do sofá, de cara pensei “ela vai querer brincar, estou perdida” e chorei ainda mais. Mas contra todas as expectativas, ela se sentou ao meu lado, abraçou minha cabeça e mordeu meu nariz (acho que na tentativa de beijá-lo). Foi doce, lindo, emocionante.

o clichê “você é o espelho dos seus filhos” é a mais pura verdade. Bia repete exatamente tudo aquilo que eu faço. As poucas vezes que chamei a atenção do gato por estar comendo minhas flores foram suficientes para que ela fizesse o mesmo. Dia desses, estávamos nós duas no sofá e de repente ela começou “não, não, não” enquanto fazia a negativa com uma das mãos e descia do sofá. “Uai, Bia, está brigando com quem?” ela olhou pra mim e seguiu em direção a varanda com o mesmo discurso “não, não, não”. Era o Franz comendo minhas flores. São os mesmo gestos para pentear o cabelo, escovar os dentes, manusear o celular, enfim.

você é mais forte do que imagina. Sempre dependi dos outros, ainda que fosse para me dar um incentivo moral. Com a maternidade, diversas vezes me vi em situações complexas estando somente eu e minha filha. Aprendi a me virar e, olha, é possível descobrir uma mulher forte dentro de uma menina mimada (o que eu sempre fui).

é possível conciliar carreira, família e vida pessoal. É possível, mas não é fácil. Eu tenho conseguido e não tenho do que reclamar. Continuo trabalhando na área que eu escolhi, fazendo pós-graduação, estudando pra concurso e levando a vida de mãe numa boa. Além disso tenho a família e os amigos. Por mais que nada seja como antes, a vida segue com novos prós e contras, mas segue.

a vida nunca mais será a mesma. Tudo muda com a maternidade. Seus amigos mudam, suas agendas, seus programas, sua expectativa de vida, seus planos. Você pode até se deprimir às vezes pensando “poxa, se não fosse mãe, uma hora dessas eu estaria fazendo isso ou aquilo”,  mas sempre se questionando “como é que eu vivia antes dos meus filhos” sem nunca mais imaginar sua vida sem eles.

Acredito que aprendi muito mais, mas estas, com certeza, são as grandes lições deixadas pela maternidade em 2013. Que venha 2014! A todos e todas que acompanham o Me Sinto grávida, um novo ano repleto de realizações, desafios e conquistas. Obrigada pela companhia no último ano, espero tê-los sempre por aqui.

Beijos

Jéssica Macêdo

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