Uma doula para chamar de minha

Desde que encontrei meu Ginecologista Obstetra humanizado, venho procurando uma doula. De certa forma, a ordem dos fatores está invertida. Muita gente encontra primeiro a doula e esta ajuda na escolha do GO. Mas meu caso é bem diferente. Descobri que poderia ter um parto humanizado e natural após uma cesárea recentemente, já na reta final da gravidez. Estava correndo contra o tempo e acabei encontrando primeiro o GO.

Até conversei com algumas doulas, mas doula é tão essencialmente parte do processo que não poderia ser qualquer uma. Tem que ter empatia, alguma afinidade e intimidade. Encontrei a minha na hora em que mais precisava: na elaboração do plano de parto. No primeiro contato, eu senti que seria ela e estou bem satisfeita.

A doula é parte do processo de humanização do parto, ela ajuda a defender esse direito da mulher dando orientações e apoio tanto emocional como físico. Principalmente no cenário brasileiro, onde o corporativismo associado ao comodismo e à visão de lucro por parte das organizações médicas negligenciam o direito da mulher, é quase impossível conseguir um parto humanizado sem a presença dela.

Para quem ainda não conhece a figura da doula, vale muito a pena dar uma pesquisada em relatos de partos humanizados. Sempre a encontramos lá. Doula é uma “comadre profissional”. Ela resgata a existência da colaboração feminina em um dos momentos mais importantes da vida da mulher: o gestar e o parir.

Antes do parto ter se tornado apenas um procedimento médico, eram as mulheres as protagonistas deste evento e contavam com o apoio de outras mulheres: parteiras e comadres. Pessoas conhecidas e que permitiam e apenas auxiliavam a mulher naquele momento sublime do parir.

O que diz o Ministério da Saúde sobre as doulas:

Ministério da Saúde considera que a participação da doula é mais um instrumento humanizador, pois ela acolhe e acompanha as mulheres na hora do parto, dando apoio emocional e incentivo não só às gestantes, mas também a seus familiares.

O acompanhamento de gestante por doulas é recomendado não só pelo Ministério da Saúde brasileiro, como pela própria Organização Mundial de Saúde. No site O Despertar do Parto tem tudo sobre doula: o que é, o código de ética, qual o papel dela. Leia e se empodere. Só mulheres informadas são capazes de lutar contra o sistema.

2 comments

  1. brabul says:

    sobre a citação “Antes do parto ter se tornado apenas um procedimento médico, eram as mulheres as protagonistas deste evento e contavam com o apoio de outras mulheres”

    O parto não é um procedimento médico, é um ato fisiológico que qualquer pessoa pode fazer sem a presença obrigatória de um médico. Na Europa, e países desenvolvidos, são obstetrizes (parteiras) as responsáveis pela assistência ao parto, ou seja, quem faz o parto é a mãe. A profissional apenas assiste =D

    Foram os conselhos médicos que introduziram a cultura do médico obrigatório no parto – e da cesária, consequentemente – com intere$$es maiores por trás disso.

    E estamos nós, os humanizados, aí para quebrar esses tabus que introduziram na nossa cabeça á tempos. Porém é sempre tempo de desconstruirmos o velho e reconstruirmos um novo.

    O médico não deve meter a mão no que não compete a ele. Vale um conselho do grande obstetra Ricardo Jones: “sente na sua mão e espere”.

    São a mãe e o filho os protagonistas do parto. A doula é a assistente principal. Os outros estão lá “just in case”. Somente, se DER MERDA – menos que 10%. 😉

    • Jéssica Macêdo says:

      Exatamente isso que eu quis dizer, Brabul. O parto se tornou um procedimento médico no Brasil. Quando você vai falar sobre parto natural com alguém, te acham quadrada, esquisita e já é complexo. Falar em parto domiciliar, parteira, mulher parir por conta própria então, Deus me livre! Me sinto num purgatório tendo que explicar exatamente isso: a mulher é sim a protagonista do parto.

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