Entre irmãos

Uma das perguntas mais recorrentes quando reencontro amigos é “e a Bia com o Artur, tudo bem?”. Sim, tudo bem! Juro! Há momentos e momentos, e posso dizer que é bem mais tranquilo do que eu poderia supor. Claro, tudo pode mudar conforme eles forem ficando mais velhos, mas torço sempre pelo melhor resultado. Torço para que eles sejam super companheiros.

Ela mostrando as coisas boas da vida pro irmão

Ela mostrando as coisas boas da vida pro irmão

É inevitável a perda de espaço do mais velho para o mais novo. Antes existia uma exclusividade, hoje temos uma partilha. A melhor forma de lidar com isso é não segmentar, mais somar as atenções. Fazer o mais velho entender que há uma nova figura na composição familiar e que ela é tão parte disso como ele sempre foi. Tem que ser natural, como parte do todo. Colocamos Beatriz para participar da gravidez, mas após o nascimento do Artur é que pudemos notar o quanto essa participação continuada é importante.

Pequenas atividades como trocar a fralda, amamentar ou dar banho devem ser realizadas na presença do maior. Fazemos assim com Beatriz. Ela participa, na maioria das vezes, ativamente. Vez ou outra como espectadora. Gosto de insistir “é o Artur da Beatriz, né?!” ou “é o irmãozinho da Bia”. Mostrar que ela tem uma relação direta com aquele ser pequeno e frágil. A diferença de idade entre os dois é de um ano e meio, mas conforme eles forem crescendo a diferença não será tão gritante assim, eles vão partilhar não somente a atenção mas também toda iniciativa que beneficie um ou outro ou os dois. Essa partilha tem que ser estimulada desde já, é como se ajudássemos na criação do vínculo.

Vejo muitas histórias em que o irmão mais velho não se dá bem de forma alguma com o mais novo, até mesmo na vida adulta e quando paramos para analisar a causa geralmente é a mesma. Com o nascimento do mais novo houve um rompimento com o mais velho. “Fulano não faça isso com seu irmão!””Saia de perto dele!””Agora não!”. Às vezes falamos coisas sem pensar a fim de proteger o mais novo de possíveis acidentes, mas acabamos empurrando o mais velho para um abismo de certezas negativas: “aquela nova criatura roubou o meu lugar”.

Vai que ele dorme?

Vai que ele dorme

Há formas menos traumáticas de preservar a segurança do mais novo sem afetar o mais velho. A  forma como falamos tem muito a ver com isso. Outro ponto é que bebês são frágeis, mas não são de açúcar. Deixe que eles se toquem, permita (dando o suporte necessário) que o mais velho pegue o mais novo no colo, convide para atividades do dia-a-dia. Estimule brincadeiras.

Assim fazemos aqui em casa e dá muito certo. Raras são as cenas de ciúmes – que devemos considerar a fase pela qual Beatriz está passando: “terrible two”, da qual falarei em outra oportunidade-, e nessas horas não custa nada dedicar um pouco de exclusividade para o maior. Ele precisa permanecer sentindo-se muito amado. Afinal, para ele é mais difícil aprender a dividir do que para o mais novo; já que para ele sempre foi tudo dele e agora existe uma partilha, para o mais novo sempre foi partilhado.

Hora do banho do Artur

Hora do banho do Artur

No fim, encontramos trocas de sorrisos e carinhos entre irmãos, e isso, meus amigos, não tem preço!

2 comments

  1. J. says:

    estava lagrimando até ver o gif “vai que ele dorme”, ai, mana, é muita sorte minha ter esse blog pra ler e pra participar de tudo o que ocorre por aí mesmo de longe. OBRIGADA!!!

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