Pós parto e pós cesárea

Quando temos parâmetros diferentes, também temos opiniões mais completas para avaliar o que é melhor e o que não é. No meu caso, eu tenho dois parâmetros sobre o nascimento: a cesárea e o parto natural. Vivi as duas situações e me sinto muito bem ao falar qual eu achei melhor. São as minhas experiências, é claro, mas pode ajudar na tomada de decisão de alguém.

Cesárea:

Meu pós cesárea foi bem tenso e eu não sinto a menor saudade, tão pouco a vontade de dizer “minha recuperação foi ótima”, como leio por aí. Logo após a cirurgia, fiquei numa sala de recuperação não sei exatamente por quanto tempo. Eu sentia muito frio e tremores por causa da anestesia. Demorei a sentir as pernas, mas sentia claramente que eu estava sobre uma poça de algo bem molhado. Era sangue, muito sangue. Demoraram a ver isso, apesar de eu ter falado com a enfermeira. Só notaram quando já estava pingando no chão. Me trocaram de maca.

Quando fui para o quarto, ainda não podia me sentar, muito menos ficar em pé. Sofri para amamentar a Bia por causa da posição. Graças a Deus não tive problemas com a descida do leite, já que eu já tinha muito colostro desde o sexto mês de gestação. Quando deu umas duas horas da manhã, me autorizaram a tomar banho. Eu precisava muito, a todo instante eu expelia coágulos enormes de sangue. A enfermeira me ajudou e, em determinado momento, eu senti tanta dor nos pontos que desmaiei. Com dificuldade ela me segurou e meu marido veio ao socorro. Depois eu vomitei.

A todo momento vinha enfermeira me dar medicamento. Era antibiótico e remédio para a dor. O tempo todo dopada e ainda assim com muita dor. Durante o dia sugeriram que eu fizesse caminhada para aliviar os gases, já que a anestesia dá uma travada no intestino. O problema é que eu não conseguia me manter em pé, batia uma fraqueza horrível. Então o GO resolveu pedir exame de sangue, que constatou uma anemia. Tive que fazer transfusão, duas bolsas de sangue. Era isso ou, segundo o médico, “sabe Deus quando poderia ir pra casa”. Mesmo assim, minha internação durou 5 dias. Minha filha já havia tido alta e eu não, então a internaram de novo. Só tive alta depois de fazer cocô. Yes, 5 dias presa.

Em casa, dependia do marido pra ir ao banheiro, pra tomar banho. Quando ele não estava, minha mãe me ajudava. Eu não conseguia me erguer. Para tirar a calcinha precisava que alguém o fizesse, idem para vestí-la. Banho na Beatriz só dei após um mês, quando finalmente eu conseguia me erguer por completo. Fui pra casa com uma receita gigante de remédios, entre antibiótico e remédios para dor e febre, além de uma pomada caríssima para ajudar na cicatrização.

Apesar de todos os cuidados, de ter seguido direitinho a recomendação do médico, minha cicatriz ficou bem feia. Tive quelóide e hoje, quase dois anos depois, faço um tratamento com corticóide para amenizar o tamanho. Além disso, em dias frios sinto dores, pequenas fisgadas na região e às vezes uma coceira que arde, como se fosse por dentro. Fui procurar saber e decobri que é normal. Recuperação 100%, segundo alguns artigos, só após 6 anos da cirurgia.

Instantes antes da cirurgia

Instantes antes da cirurgia

Parto normal:

Meu pós-parto foi bom. Não foi nenhum paraíso, mas nada comparado à cesárea. Gosto de falar disso porque muita gente acha que o parto normal é só parir e pronto, que nem precisa do resguardo. Não é bem assim. Não fui submetida à epsiotomia, mas tive uma laceração muito pequena. O médico preferiu dar pontos. Eu não sentia dor na região pélvica, só cansaço do trabalho de parto. Logo depois da saída da placenta e da primeira mamada do Artur (na primeira hora de vida <3 ), eu dormi. Sono que não durou muito por causa da adrenalina do momento.

A gente também perde muito sangue, é normal. Mas, no meu caso, para uma pessoa que constantemente está anêmica isso faz uma diferença. Algumas horas após o parto eu ainda não tinha retomado meu centro de equilíbrio, então, toda vez que tentava me levantar sentia uma certa tontura e, lembrando dos desmaios que tive no pós cesárea, decidi esperar para me levantar e tomar banho. Artur nasceu aos 26 minutos do dia primeiro de abril. Lá pelas 4h da manhã eu senti muita vontade de fazer força, tal qual na hora do expulsivo, eu só não esperava fazer cocô. Então eu fiz, ahhaha, cocô deitada na cama. Me senti ótima, já que não precisaria me esforçar muito depois.

Quando amanheceu, enfim tomei meu banho. A enfermeira me ajudou, porque eu ainda não estava segura em ficar em pé. Mas me senti muito melhor após. Já me sentava, cuidava do meu bebê. Tranquilamente. Não tomei nenhum medicamento após parir e, até  hoje, 4 meses depois continuo sem tomar (exceto uma homeopatia para sinusite recentemente). Tive alta no dia seguinte. Na hora de sair, as enfermeiras ficaram enlouquecida porque eu estava caminhando com o bebê no colo. “– A senhora não pode, precisa da cadeira de rodas.” Não aceitei aquilo. “– Por que? Estou me sentindo ótima!!!”. E a enfermeira voltou com um “– Mas a senhora fez cesárea…”. Antes que ela terminasse, a interrompi e expliquei que meu parto havia sido normal e que eu levaria, sim, meu bebê no colo. E assim fui! Diva, apesar da palidez e da cara de cansada.

Saimos da maternidade e fomos direto à uma loja de bebê na W3 sul. Me tornei a grande atração. “Uau, o bebê nasceu ontem e ela já tá passeando”. Não era bem um passeio, mas ok. Em casa pude dar banho no meu menino, pegar a minha menina no colo. Para não dizer que foi tudo uma maravilha, por 5 dias eu não encontrava posição para me sentar. A musculatura pélvica ainda estava inchada pelo esforço de parir, eu passava Andolba e só. Poderia tomar remédio para dor, mas não vi necessidade. Rapidinho me recuperei disso, os pontos desapareceram com pouco mais de 15 dias e eu já me sentia pronta para outra.

Sexualmente me sinto ótima. Um dos grandes medos é que a mulher fique relaxada após parir. Grande mito e digo mais me sinto mais apertada inclusive. Acho que o exercício da musculatura favorece muito. Incontinência urinária? Nem pensar! Não deveria, mas tem dias que faço xixi duas vezes apenas por causa da correria com as crianças e a vida. Seguro que é uma beleza.

Logo após o Parto Normal

Logo após o Parto Normal

Concluindo

Então, para mim, a recuperação da cesárea não foi as mil maravilhas que leio por aí, já a do parto natural foi muito boa. Os primeiros dias não foram fáceis, mas passaram rapidinho. Da cesárea, ainda não me recuperei completamente nem física, nem psicologicamente.

 

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