Primeira viagem do Artur

Este final de semana foi cheio de aventura, minha gente. Fomos só Artur e eu para São Paulo, pois eu estava escalada para participar de uma mesa redonda na Conferência Nacional de Blogs do CBBlogers. Eu nunca viajei sozinha com filho nenhum, então foi um final de semana cheio de “primeiras vez”.

Fomos de avião, pela Avianca, 1h e 25 minutos de pura emoção. Não havia referência alguma no site da companhia sobre berço na aeronave, então, nem me dei ao trabalho. Já que na Tam, com Bia, foi só dor de cabeça e nada de berço. Levei uma mala com as minhas coisas e as dele, a qual despachei, e uma mochila com coisas para trocas de fraldas de emergência e toda a minha quinquilharia eletrônica. Ele foi no sling, do qual falarei com mais destaque adiante.

Curtindo o movimento na aeronave

Curtindo o movimento na aeronave

Artur começou a chorar ainda na fila de embarque e eu tive que oferecer o peito. Mas no mundo ideal, ele só ia querer peitos na decolagem, evitando, ao mamar, dor de ouvido pela pressão do ar. Essa carta na manga foi descartada. Já dentro da aeronave, aproveitei a poltrona vazia para trocar a fralda e deixá-lo um pouco na horizontal.

O avião estava lotado na ida. O embarque parecia uma eternidade, não parava de entrar gente. Artur e eu já estávamos posicionados em uma poltrona ao lado da janela. Os lugares ao nosso lado demoraram a ser ocupados e eu rezando “Deus, que não apareça ninguém pra sentar aqui”. É claro que Ele não ouviu minhas preces e me enviou um cara todo engomadinho pra sentar ao nosso lado.

Enfim, o avião iria decolar e eu tentando a todo custo que Artur pegasse o peito pra poder passar tranquilo pela decolagem. Ele pegou e dormiu – e eu dava pulos de alegria por dentro. Veio o lanchinho, eu comi, tentei cochilar; mas Artur acordou com uma tosse horrenda, que virou uma bela golfada. Nessa hora eu poderia ler os pensamentos do vizinho de poltrona:  “PQP um avião desse tamanho e eu tinha que sentar justamente ao lado desse moleque pra ouvir o choro dele no pé do ouvido e ainda ser vomitado por ele”. Sei que é assim porque eu já fui espectadora das aventuras maternas alheias e odiava estar num avião com criança. Nem pedi desculpa, obviamente – meu foco era outro.

Chamei a aeromoça para me ajudar. Fui ao lavatório, usar aquele trocador horrível. Artur, além de tudo, estava gripadinho. Tirei a roupa dele, troquei a fralda que já estava cagada, lavei os olhos remelentos e suguei o catarro do nariz (com nosefrida, gente). Então o comandante avisou “tripulação, preparar para o pouso”. Não pensei duas vezes. Coloquei o garoto só de fralda no sling e fui me sentar. Ele chorava, chorava. Gritava e todos me olhavam. Principalmente porque ele estava pelado. Ainda bem que o ar-condicionado não estava gelando horrores, a temperatura estava bem agradável – ainda mais pra quem estava pelado, imagino, porque eu suava. Finalmente ele pegou o peito, o avião pousou e ele dormiu.

Esperei todos saírem da aeronave. O coloquei na poltrona ao lado, o vesti. Coloquei Artur no sling, minha mochila nas costas e fui buscar minha bagagem. Ele ficou tranquilão. Pegamos um táxi e no caminho ele dormiu. Ao chegar na casa da minha amiga, o tirei do sling pra colocá-lo na cama e, MILAGROSAMENTE, pela primeira vez, ele não acordou. Deu tempo de bater um papo sossegada.

Durante o evento

Durante o evento

No dia seguinte, saí para o evento. Coloquei no sling e fui num supermercado comprar um daqueles carrinhos guarda-chuva baratinhos. Seria melhor ter um à disposição na hora que eu estivesse me apresentando e o casal de amigos, Nika e Thiago, cuidando dele. No evento foi aquela novela, põe no sling, tira do sling, passeia de carrinho, coloca no peito, faz gracinha. O tempo não passava. Finalmente ele dormiu no carrinho, eu pude beliscar o coffe break.

artur-e-thiago-ignacio

Artur e seu babá Thiago Ignácio

Ele acordou, chegou a minha vez, e meus amigos saíram com ele. Em resumo, a alegria dele era uma fonte de água na frente do hotel do evento. Quando terminei minha apresentação ele já estava choroso de novo. Coloquei no peito, ele dormiu e nós comemos um delicioso hamburguer. Fomos embora e estávamos todos, os adultos e mini humano, cansados. Ao final, banho e cama resolveram tudo.

Artur de papo com a Nika enquanto Thiago joga vídeo-game

Artur de papo com a Nika enquanto Thiago joga vídeo-game

Viemos pra casa no domingo de manhã. Ganhei muitos presentes no evento e precisei de mais uma mala. Artur no sling, o carrinho ficou lá (depois minha amiga o trará), as duas bagagens e a mochila comigo. Despachei as malas e fui andar com sling no aeroporto. Pela primeira vez fiz o número dois fora de casa e pela primeira vez fui ao banheiro com Artur no sling. Foi uma prova de independência que não tem preço.

Artur e seu babá Thiago Ignácio

slingando

A volta foi bem mais tranquila. Viemos na janela, mas a poltrona do meio estava vazia. Artur chorou um pouco, mas brincou e dormiu mais que isso. Chegamos bem! Sã e salvos. E preciso dizer, muitas vezes contei com a solidariedade de desconhecidos nesse processo, meio que uma forma de me mostrar que é melhor ajudar do que se ofender ou negligenciar os devaneios maternos alheios.

Recebendo visita de outro Thiago, o Meller

Recebendo visita de outro Thiago, o Meller

Agora, teve uma hora que eu fiquei P* da vida! Na hora de passar no detector de metal em Congonhas, tirei Artur do sling conforme já havia sido orientada no aeroporto de Brasília, mas daí a mulher queria que eu entregasse o bebê pra ela e tirasse o sling. Ah mah vah! Eu contestei! Primeiro, porque eu não vou sair por aí colocando meu bem mais precioso no colo de qualquer um, né?! depois, é uma merda amarrar o wrap em locais públicos porque ele arrasta no chão e suja. Enfim, me deixaram passar com ele pelo detector sem tirar o sling, só com ele afastado do corpo. Armaria! Sobrevivemos 🙂

3 comments

  1. Andrenws-mãe do Bernardo Alonso says:

    Olá, Jéssica! Adorei seu relato. Tenho um bebê de 5 meses, o Bernardo Alonso e também farei a primeira viagem com ele de avião (moro em Belém e vamos para SP), mas estarei com meu esposo também, daí imagino que será menos perrengue (espero!rsrs). Confesso estar bem preocupada com as diversas possíveis situações ( choro, dor no ouvido, vômito, tirar sling/detector de metal…). Tenho visto alguns vídeos tenho de mães com bebês em viagens e tenho procurado me acalmar, mas não está sendo fácil, confesso.
    Obrigada pela bela resenha, foi mais uma dica para minha jornada!
    Abraço!

    • Jéssica Macêdo says:

      Andrenws sei que cada experiência é única, mas compartilhar ajuda muito outras pessoas. Boa viagem e volta aqui pra contar como foi tudo com o Bernardo Alonso. Abração!

Responder