A primeira queda do Artur e o SUS

A primeira queda a gente nunca esquece, principalmente quando ela rompe o silêncio dos primeiros minutos da manhã. Artur caiu no chão hoje por total descuido meu. Eu dormi, quando já íamos levantar. Ele ficou à mercê os próprios impulsos e da cama box sem proteção. Então, ploft!!!

Levantei num salto quase acrobático. “Meu Deus!” ele chorando com cara de assustado, no chão ao lado da cama. Fiquei muda. Ele vomitou sangue. Pedi socorro. Fomos a um hospital público no caminho da escola da Bia. Ele ficou sonolento. Eu não conseguia mantê-lo acordado. Chegamos! Passamos por uma triagem e ele recebeu a pulseira laranja – que significa haver risco de complicações se não houver atendimento.

Aguardamos por cerca de meia hora, então a pediatra nos atendeu. Uma jovem, simpática e atenciosa. Sim! Me julgou por deixá-lo na cama “por isso berço tem grade”. Nem discuti. Ela nada tem a ver com as minhas escolhas, inclusive onde meu filho dorme. Fiz cara de alface e ela deu seguimento ao atendimento. Avaliou tórax, boca, cabeça e nariz. Algum sinal que justificasse o sangue. Não encontrou nada além de muito catarro, resolveu pedir um raio-x do tórax pra ver se poderia ser pneumonia. Fui. Fizemos. Pulmão limpo. Ela me explicou que não atendem traumas ali e nos encaminhou para o Hospital de Base. Mandou ambulância e tudo para garantir a urgência do atendimento.

Rapidamente chegamos lá, em 20 minutos Artur foi avaliado por um neurocirurgião que pediu um raio-x da cabeça. Fizemos. Voltamos e não havia nada errado com as imagens. Ele só destacou a necessidade de observação. Retornar se ele dormir e não conseguir acordar, sendo permitido no máximo 3 horas seguidas de sono nas primeiras 24 horas, vomitar mais que três vezes no intervalo de uma hora e se manter muito irritado por muito tempo. Dispensados!

Fazia tempo que eu não recorria ao SUS para atendimento, somente para vacinas. Gostei muito! Nunca antes eu tinha feito exames de raio-x com tanta agilidade. O tempo de espera para pediatria foi menor inclusive em comparação à rede privada. O acolhimento mais humano, apesar de ter ouvido uma pediatra falar para uma mãe que ela deveria desmamar a filha de dois anos e meio “pois ela já é muito moça pra isso”. Deveria esta médica era parabenizar a mãe por conseguir o aleitamento prolongado, preconizado pela OMS e tão criticado nos dias de hoje. Também gostei de ver estudantes de medicina acompanhando os atendimentos desde a triagem sob a tutela de médicos experientes, isso no hospital de Base.

Fora o susto, Artur está ótimo. Rindo para as paredes. E o SUS tem mesmo muito o que melhorar, mas vi hoje que ele está caminhando pra isso. A última vez que fiz radiografia no SUS, há 8 anos, era bem diferente. Foram longas e intermináveis 6 horas para fazer o exame, fora a espera pelo médico. Por isso eu acredito no SUS como a solução da saúde no país e não como problema. Lutemos por ele, então!

9 comments

  1. J. says:

    você fez muito bem em ter levado o Arthur, principalmente se tinha vômitos e sonolência. Nota dez pra ti.

    Da próxima vez (espero que não haja), dispense o Raio X. Cabeça quebrada a gente diagnostica com palpação do crânio. Dispensável. O exame preconizado é a TC de crânio apenas se houver sinais de gravidade, como sonolência ou vômitos (eu teria pedido). Ele pode ter traumatizado o nariz, que é muito vascularizado, engolido e ter vomitado tudo =P

    Que bom que o menino está bem. Geralmente, quedas de pouca altura não são tão graves. Agora, mais de um metro, de cabeça, ja é preocupante. então, cuidado no parquinho!! Quedas dentro de casa geralmente são tranquilas =D

  2. camilla wolf says:

    Jéssica, eu sem plano de saúde só tenho levado o Ben na secretaria de saude e tenho gostado até. Alem de trabalhar na upa, depois que fiquei 6horas na fila da triagem do hospital Brasília, nunca mais quis saber de plano de saúde. Bom é ter, mas na real… Da na mesma. Médicos ótimos da mesma forma! Que bom que Artur esta bem! Bjus pro fofinho!

    • Jéssica Macêdo says:

      Médicos bons existem, né Camilla?! A gente só precisa achá-los ahahha.

      Beijo grande

  3. ive lemos says:

    Nossa fico feliz por saber que foi atendida rapidamente, porque comigo foi bem diferente, a ultima vez que recorri ao Sus em Brasilia (Hospital de Ceilândia), depois de esperar por 4 horas (quando percebi que ia desmaiar de tanta falta de ar), atravessei a rua e fui buscar atendimento numa clinica particular que fica em frente ao Hospital.Gastei $$$ o que não tinha, mas sobrevivi!
    Talvez o atendimento tenha sido rápido por se tratar de uma criança, talvez só o de Ceilândia seja ruim! Não sei, mas na duvida, fiz um plano de saúde. Sorte a minha, porque agora estou gravida!
    Me mudei de Brasilia para Bahia, faz 2 meses, a diferença em minha saúde é nítida, não tenho mais dor de garganta, falta de ar… não tive mais problemas respiratórios. Isso tem me deixado tranquila!!!
    Espero que assim como vc, muitas pessoas sejam atendidas com tanta presteza e competência!!!
    Por fim, parabéns ao atendimento pelo SUS em Brasilia!! Fiquei surpresa, porém feliz com seu depoimento!

    Beijos!
    Ive

    • Jéssica Macêdo says:

      Oi, Ive! Parabéns pela gravidez <3 que venha um bebê cheio de saúde para dar muitas alegrias a esta mãe.

      Pois olha, confesso que fiquei muito surpresa com o atendimento. Sou defensora do SUS, mas sei o quanto ele está longe de ser na realidade aquele modelo ideal muito bem descrito no papel. Em se tratando de SUS em Brasília, foi ainda mais surpreendente ainda, a saúde por aqui anda de mal a pior mesmo. No seu caso, falando do HRC, de fato lá não é um dos melhores de Brasília. Sempre está envolvido em algum escândalo de falta de profissionais, profissionais faltosos, superbactérias e tudo mais. Uma pena.

      De fato, acredito que meu bebê e eu tivemos muita sorte. Espero que deixe de ser sorte para se tornar uma realidade comum a todos nós.

      Beijos

      volte mais vezes.

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