Medo de retornar ao trabalho

Preciso desabafar! Quem me conhece há tempos sabe o quão minha carreira é importante para mim. Dou muito valor ao trabalho, o faço com muita dedicação, principalmente quando ele soma fatores positivos como uma equipe unida, um ambiente estável e desafios motivadores. Quando acabou minha primeira licença maternidade, voltei ao trabalho sem culpa. Eu estava sentindo falta do meu lado profissional, então, apesar de não concordar com uma licença de apenas 4 meses, foi bom estar de volta.

20 dias após o nascimento do Artur tive que dar um pulo no trabalho

20 dias após o nascimento do Artur tive que dar um pulo no trabalho

Estou prestes a voltar para o trabalho pela segunda vez e estou com os sentimentos bem confusos. Eu gosto de trabalhar, mas com certeza o faço porque preciso pagar contas no final do mês. Talvez, se eu fosse de família abastada, abriria mão do salário certinho na conta todo mês para ingressar em alguma aventura empreendedora. É este o ponto! Empreendimento. Não acharia nada mal ter um empreendimento que me permitisse  saborear a profissão sem afetar meu papel materno.

E é este o outro ponto! Desempenhar muitos papéis. Pela primeira vez estou receosa de retornar ao trabalho, mesmo tendo uma licença bem maior do que da primeira vez. Acho que passar pelo que passei em relação ao nascimento do Artur fez aflorar meu lado mais maternal, despertou uma necessidade imensa de estar mais perto dos meus filhos acompanhando seu desenvolvimento, que infelizmente – eu sei muito bem disso – não é possível estando trabalhando. Não no emprego que tenho.

Me pego várias vezes divagando em como será após o meu retorno. O que vou perder? Tive a sorte de ver os primeiros passinhos da Bia pois estava de férias, será que verei os do Artur? Já me habituei a estar com os dois, a vê-los juntos, a preparar as coisinhas da Bia para ir para escola, aproveitar melhor os finais de semana para estarmos juntos, inventar programas no meio de uma quarta-feira à tarde sem medo de ser feliz. Meu maior medo é perder o melhor da maternidade em prol do trabalho.

E no trabalho, será que vou desempenhar um bom trabalho estando ainda com as mamas cheias de leite e a cabeça cansada porque ainda amamento de madrugada? Será que eu vou ser aceita quando chegar atrasada porque meu filho iniciou uma crise de choro na hora que eu estava de saída? Será que meu chefe não vai me olhar de cara feia porque faltei ao trabalho pra cuidar da minha filha adoecida? Será que o colega vai entender quando eu quiser acelerar o processo para sair correndo pra casa pra dar tempo de ver meus filhos acordados? Será? Será?

São muitas dúvidas que provavelmente só serão sanadas quando eu retornar ao trabalho, o meu medo é que eu só descubra as respostas tarde demais restando apenas o arrependimento. Seria bom ouvir vocês, conhecer melhor os sentimentos tanto das mães que trabalham fora, como as que abdicaram da carreira para ficar com os filhos.

3 comments

  1. Vanessa Queiroz says:

    São questões que muitas mulheres enfrentam, ter plenitude na vida materna e profissional é algo difícil para quem trabalha fora, da mesma forma que muitas optam por abandonar a carreira para se dedicarem aos filhos. Acredito que é uma decisão pessoal que varia de caso para caso.

    • Jéssica Macêdo says:

      Obrigada, Vanessa, por sua contribuição.
      Realmente, cada uma sabe o melhor pra si.

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