Os terrible-two estão por aqui

Prestes a completar dois anos, Beatriz tem sido fonte de muita inspiração e de muita dor de cabeça. Ela está passando pelo que alguns especialistas chamam de terrible-two (ou terríveis dois), a adolescência do bebê. Uma espécie de período de transição em que a criança não consegue definir muito bem os sentimentos diante às descobertas que vem fazendo.

Começa por volta de um ano e meio e vai até dois anos e meio. Pra variar, cada criança passa de uma forma por este período e cada uma a seu tempo. Aqui, casou certinho com a média. Desde que completou 18 meses, Beatriz vem nos surpreendendo ora com a façanha de uma grande conquista, ora com um choro estridente e intermitente sem motivo algum aparente.

Por exemplo, nada tem tocado mais meu coração do que ver Beatriz demonstrar carinho pelo irmão. Dia desses ela estava o balançando na rede cantando uma canção de ninar. A coisa mais fofa de todo o universo!!! Instantes depois, na hora de comer, ela cansou da comida e virou o prato sobre a própria cabeça. Expliquei que aquilo não se faz. Ela repetiu o gesto, então tirei o prato. Pronto, foi o suficiente para um show de horrores. Ela se debatia toda na cadeira de alimentação. Não sei como não apareceu nenhum vizinho pra perguntar se eu estava espancando a menina, pois se eu estivesse do lado de fora poderia jurar que sim.

Uma das justificativas é que a criança começa a perceber suas próprias vontades e seu poder de escolha, mas como ainda não aprendeu a lidar com tais sentimentos fica confusa e irritada. Sem saber como expressar, ela chora daquele jeito que comumente chamamos de birra. Oh man! Como é difícil! Pois se nem a cria sabe o que quer, avalie nós reles mortais pais.

Nessas horas se agarre com o mantra “é só uma fase, vai passar”, tome doses de paciência e tente se colocar no lugar dela. Isso ajuda, e muito, a tentar superar as crises. Tente dar opções à criança, filtre a quantidade e deixe que ela decida. Vale pra tudo, comida, roupa, sapato, brinquedo… Ajude-a a se acalmar. Amor e carinho não fazem mau a ninguém! Outra boa técnica é mudar o foco, tente chamar a atenção dela para outras coisas. Uma mariposa que seja, mude o foco!

Mas não se iluda! Muitas vezes as recomendações dos especialistas para lidar com este período podem funcionar, porém, muitas outras vezes podem não dar em nada e você vai se pegar com uma criança deitada no seu colo chorando ESTRIDENTEMENTE sem parar há meia hora. Você vai dar opções e ela vai responder com uma birra daquelas se jogando no chão. Você estará num momento divertido e ela simplesmente vai abrir o berreiro sem dizer o que a está incomodando.

E sabe o que é pior?! Você vai passar por momentos assim outras vezes. Os terrible-two não são exclusivos, havendo também fase semelhante aos 3 e aos 4 anos. Fora a adolescência propriamente dita, que já sabemos o quão complicada pode ser. Mal posso esperar! #SQN rs

Por outro lado, tenho amado ver o desenvolvimento da minha garotinha. Percebo que ela tem a personalidade muito forte, tem suas próprias convicções e provavelmente vai ser mil vezes mais bem sucedida que a mãe. Eu sempre fui acanhada, meio abobada até. Vejo que a Beatriz é meu oposto, e enxergo isso como uma qualidade – claro, sabendo ponderar.

Aqui vão 10 motivos para você amar os terrible-two segundo a Revista Parents

  1. Crianças são líderes natos
  2. Crianças são seres extremamente criativos
  3. Crianças são descobridoras, aventureiras
  4. Crianças de dois anos são muito proativas (por isso querem ajudar a fazer faxina, lavar a louça e a cuidar do irmão menor)
  5. Crianças de dois anos não são rancorosas e vivem o momento
  6. Crianças de dois anos vivem as emoções em que estão sentindo
  7. Crianças de dois anos gostam de aprender
  8. Crianças de dois anos enxergam o melhor das pessoas
  9. Se divertem facilmente com pequenas coisas
  10. Elas acreditam que beijos são mágicos (é verdade, Bia sempre pede para eu beijar seus dodóis)

De fato, são motivos e tantos para amarmos esta fase. É uma relação de amor e ódio, mas com certeza é mais amor! Tenho aprendido muito e acho que toda criatura deveria conviver com uma criança passando pelos terrible-two, sem dúvidas isso nos ensina a ser mais empáticos, seja com a criança, seja com a mãe de alguém dando birra no supermercado.