Tenha paciência, senhor tempo!

“Tchau, mamãe!” me disse Beatriz enquanto pulava na cama elástica da escola e eu manobrava o carro. A fitei por alguns instantes e meu coração se apertou. Lembrei dela tão neném, dos primeiros dias de nascida, da mudança que ela causou e causa nas nossas vidas.

Tempo, seu perverso! Corre ligeiro, não sei se alcanço você. Quando foi que você transformou meu grãozinho de gente numa mocinha? Ela está enorme. Super desenvolta. Não é mais carequinha, tem a boca cheia de dentes, eu já não consigo enumerar todo seu vocabulário, toma decisões sozinha. Tempo, quando foi que isso aconteceu?

E este meninão esparramado no meu colo? Quando foi que ele deixou de caber nas minhas mãos? Ele já senta, tem dentes, balbucia, e até decide se quer deitar ou levantar. E foi num instante, num piscar de olhos que ele deixou de ser um “come e dorme” e passou a encher o silêncio com sua gargalhada.

Não quero parecer repetitiva, senhor tempo, mas estou com muito medo de você. Se outro dia era com meu irmão que eu tomava banho, hoje meus filhos fazem o mesmo. “Meus filhos”, nunca pensei que tão cedo eu diria isso, muito menos estaria aqui pedindo um pouco de calma.

Hora do banho!

Já estou nessa de pedir, aproveito então e somo também: congela um pouco o seu correr. Deixe-os mais um pouco assim, ela com dois anos, ele com 6 meses. São meus bebês, serão sempre meus bebês. Mas quero carregá-los ainda no colo. Daqui a pouco eles me carregarão. Deixa eu aproveitar um pouco mais disso, senhor tempo. Deixa!

Sei que cada fase é única, tem suas alegrias e dificuldades. Os pequenos orgulhos são pela vida toda, mas o agora está tão gostoso. Quero viver mais isso. Quero mais tempo de qualidade com meus filhos. Quero me irritar menos, rir mais. Me jogar na bagunça em vez de lutar contra ela. Senhor tempo, tenha paciência, não tenha pressa. Me perdoa pelas vezes desperdiçadas e me permita um pouco mais de tudo isso.

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