O trabalho de parto e as redes sociais

Conectar-se consigo mesma e desconectar-se do mundo é lei para quem deseja evoluir bem durante o trabalho de parto. Aprendi isso quando passei pelo processo, graças à minha doula. Eu queria jogar Candy Cruch, para me distrair das contrações. Tive o celular tomado das minhas mãos e ouvi a chamada: “isso não é hora! Você está em trabalho de parto, se concentra”. Sou bem mandada, mesmo não entendendo a razão daquilo, acatei a ordem.

Foto: Wavebrake media/ Veja

Foto: Wavebrake media/ Veja

Depois disso, passei a reparar o comportamento de mulheres em trabalho de parto em redes sociais e pude constatar que a maioria não conseguiu evoluir bem, acabando em cesariana ou tendo um TP demasiadamente longo. É claro que não é nenhum estudo científico e que não estou declarando sumariamente que uma coisa esteja definitivamente relacionada à outra. Porém, é válida a reflexão.

Muitas de nós ficamos extremamente ansiosas, principalmente as que passam pelos pródromos. Nos questionamos o tempo inteiro “será que está engrenando? Será que é agora? Será que estou em trabalho de parto?”. Corremos para os nossos círculos sociais para tirar dúvidas, avisar sobre o que está acontecendo e, consequentemente, responder às dúvidas de quem quer acompanhar aquele nascimento. Nisto, acabamos nos conectando à necessidade de comunicação e desconectando do processo. Sabemos que uma hora o processo chama junto, intima a mulher a ponto de, mesmo que não queira, não conseguir deixa-lo passar desapercebido. Mas até isso acontecer, já perdemos um bom período de evolução e não sei se você sabe, o psicológico e o emocional da mulher têm importância fundamental no trabalho de parto.

Pode parecer bobagem, mas existem verdadeiras coberturas em tempo real nas redes sociais de nascimento. Cria-se uma rede energética transformando o nascimento em um parto coletivo. Como pode? Imagina o quanto de vibrações seguem nessa onda? Positivas, negativas, tensão, medo, determinação. Tudo isso e mais um pouco. Por mais que haja coisa boa, a energia não é pura e vai chegar ao núcleo protagonista do parto distorcendo o que mais importa: as suas vibrações energéticas e de quem de fato está envolvido.

Então, querida leitora, resolvi escrever este texto para dar essa dica que pode fazer a diferença quando chegar sua vez. A qualquer sinal de parto, foque em você. Se você tiver uma doula, melhor ainda. Peça a ela informações, ajuda para entender o que está ocorrendo. Viva o momento, se entregue. É muito importante que, enquanto consciente, você participe ativamente do trabalho de parto. Se a contração vier, sinta. Rebole junto, converse com o seu bebê. Você vai perceber que esta conexão permitirá uma experiência realmente gostosa a ponto de se recordar com saudade. Quando seu bebezinho chegar, se a necessidade de comunicação ainda estiver latejando, abra seu coração e conte tudo o que você viveu. O relato pode ser ainda mais intenso.

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