Pesquisa para uma paternidade ativa

Participar das consultas do pré-natal, acordar de madrugada para trocar a fralda ou acalentar após o terror noturno, buscar na escola, levar ao médico, brincar e colocar para dormir, são algumas das tarefas intrínsecas à maternidade – e à paternidade também. Quanto o seu companheiro ou pai dos seus filhos colabora com isso?

Realizei pesquisa recentemente com as mães sobre a participação do progenitor desde o período da gestação até à educação dos filhos. O resultado foi surpreendente em diversos aspectos, levando a considerar a existência dos filhos como um possível entrave na relação do casal. Óbvio, não por culpa das crias. Mas pela falta de diálogo e trabalho em equipe desses pais [coletivo de pai e mãe].

Há mães, sim, controladoras. Obcecadas por perfeição e que tomam todas as rédeas dos cuidados com os filhos. Por outro lado, e este configura a maioria dos casos, existem pais [o genitor] que não compreendem como seu o dever de cuidar por igual dos seus filhos. Talvez pela criação que recebeu, por machismo, preguiça, enfim! A pesquisa não diagnosticou a causa, mas elencou as circunstâncias para que possamos todos refletir a respeito.

A pesquisa paternidade ativa

Entre 12 e 14 de novembro de 2014, 354 mulheres participaram da pesquisa. Um questionário de nove questões com respostas pré-definidas e uma subjetiva. Primeiro se definiu o perfil dessas mulheres e, então, conheceu o histórico, sob a ótica delas, da participação dos pais.

Maternidade – Entre essas mulheres, 92% já são mães, 2% estão gestando e 5 % estão gestando e já são mães. Das que já possuem filhos, 63% têm um filho; 29% têm dois filhos; 5% 3 filhos e menos de 1% possui 4 filhos ou mais.

Relacionamento – 76% são casadas, 14% solteiras, 8% declararam um relacionamento não sólido e 4% são divorciadas. Entre as que mantêm um relacionamento hoje, 87% o fazem com o pai do(s) seu(s) filho(s); cerca de 6% com alguém que não é o pai e, também, cerca de 6% com quem é pai de ao menos um dos seus filhos. Menos de 1% disse se relacionar com uma mulher.

Participação paterna – Pela pesquisa, os pais costumam participar ativamente da gestação e tendem a reduzir este cuidado após o nascimento dos filhos. Comparando os resultados, 16% dos pais são mais participativos durante a gravidez do que na criação. 28% ajudam sempre que a mãe solicita e 11% se negam a fazer certas coisas, como trocar fraldas, dar banho e colocar para dormir.

Há ainda os que não ajudam em nenhuma tarefa prática, mas tentam educar – geralmente repreender a criança. Estes representam 4% do total. Já os pais que não ajudam em absolutamente nada, o percentual é de 8%.

Nos casos em que a mãe não mantém uma relação conjugal com o pai da criança, a participação do (a) companheiro (a) é proativa na maioria das vezes, cerca de 60%. Os que ajudam sempre que solicitado somam 25% e os que não ajudam em absolutamente nada não alcançou nem 1% dos casos.

A relação com o pai – Agora os dados da discórdia! Para 43% das mulheres, a relação com o pai melhorou após a chegada do (s) filho(s). Já para 28%, o efeito foi o contrário, piorou. 19% informou que a relação não mudou em nada e 12% não matem relação próxima com o genitor.

Pai lendo para seus dois filhos

Flickr / cynthiahenebry

Desabafos sobre a paternidade

A questão subjetiva pedia para as mães compartilharem algo que achassem especial nesta relação, um desabafo mesmo. Eis a cereja do bolo. Surpreendi-me com a quantidade de mães que relataram um comportamento diferenciado do mesmo pai para com seus filhos. Cuidando mais de um do que do outro.

Muitas relataram que, por ficar em casa com os filhos, o pai se abstém de atender ao choro dos filhos de madrugada com a desculpa: “a mãe dorme o dia todo”. Também não foi incomum relações terem findado após a mulher engravidar. Outra coisa importante frisar: é quase unânime a reclamação quanto à vida sexual.

Agora, nem tudo são pedras. Muitas também elogiaram o desempenho dos pais, tanto as que são casadas como as divorciadas.

E qual foi o objetivo dessa pesquisa? Estudar essa relação para escrever “Passos para uma paternidade ativa”. Com base nos depoimentos deixados por essas mulheres, conversas com amigas e minha própria experiência pessoal, prometo para a próxima semana um texto com os anseios das mães com relação aos pais dos seus filhos. Quem tiver alguma sugestão, deixe seu comentário. Beijos

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