Viajando com duas crias de avião

“Atenção senhores passageiros do vôo 002 com destino à loucura, embarque imediato no portão salve-se quem puder!” Eu quase conseguia ouvir a voz da moça do aeroporto falar isso. Enfim, mês passado, aconteceu nossa primeira viagem com a família completa. Dois adultos e duas crias – uma delas equivale cinco.

Após a loucura de preparar a bagagem, os documentos e as crianças, fomos para o aeroporto levados por minha Dona Mãe. Ela nos deixou lá – os quatro: o mais fiel retrato de retirantes modernos – com duas malas, um bebê conforto, uma cadeirinha e duas mochilas. Se ajeita daqui e dali, conseguimos chegar ao guichê do check-in da Gol. Apesar do volume, nossas bagagens não chegaram à quarenta quilos. Despachamos a cadeirinha e o bebê conforto numa boa. 🙂

Passamos pelo corredor preferencial dos detectores de metais. Segurei Bia, enquanto o pai passava primeiro. Depois a soltei. Fomos eu e Artur, aquela mesma história, tira do sling, afasta do corpo e vai. “Será que ela precisa tirar o canguru?”, já ia perguntando uma das mocinhas lá do detector. Eu me apressei em passar logo, já prevendo uma treta porque, como vocês já sabem eu não ia tirar mesmo o sling.  Mas a outra respondeu que não precisava. Então tudo bem.

O aeroporto de Brasília ficou enorme depois da reforma. A gente anda horrores até chegar à sala de embarque. Aquelas esteirinhas lá aliviam quase nada da caminhada. Mas está bem bonito, isso é verdade e Beatriz se amarrou em andar nelas.

Fizemos várias idas e vindas nessas esteiras. Bia se amarrou!

Fizemos várias idas e vindas nessas esteiras. Bia se amarrou!

Sexta-feira, o mundo inteiro parecia estar ali para embarcar. A praça de alimentação estava lotada. Mesmo assim, como chegamos um pouco adiantados, decidimos fazer um lanche e o marido aproveitou para pagar uma conta online. Duro foi fazer Beatriz ficar sentada no lugar dela. E foi aí que começou o estresse com força. Depois que voltei para a mesa com o lanche, Bia comeu um pouco, bebeu um pouco do suco, mas estava vidrada em umas crianças maiores que brincavam perto dali. Ela queria fazer igual. Com tanta gente e um bebê no colo, não era a melhor opção. Offcourse que ela não dava ouvidos às minhas chamadas. Até que uma hora eu a segurei pelo braço e ela se jogou no chão, bateu a cabeça e eu perdi a minha. Dei um berro no digníssimo: “Desliga a POXXA desse celular e vem cuidar da tua filha”. Ele não gostou. Todo mundo olhou. Bia se esgoelava e mesmo assim não parava quieta.

Passado o sufoco de ter que entreter Beatriz enquanto aguardávamos o embarque: Campo Grande, aí vamos nós! Como preferenciais, entramos primeiro. Nos acomodamos. Bia na janela, Guto no meio e eu e Artur no corredor. Aquela lenga-lenga. O embarque parecia não terminar nunca. Fico ansiosa nesta hora, porque tenho colocar Artur no peito quando a aeronave decolar, mas se demorar muito, ele mama antes e na hora não quer peito. GOD! dê me forças. Enfim, o avião decolou. Artur pegou o peito e Bia com muito custo ficou sentada. Era à noite, ela nem curtiu muito olhar pela janela.

Saldo: uma revista e um cardápio parcialmente destruídos

Saldo: uma revista e um cardápio parcialmente destruídos

Artur dormiu, amém! Bia não parava quieta. Fez cocô. O pai teve que trocá-la naquele trocador mequetrefe do banheiro. Comprei uns petiscos pra gente e para entreter Beatriz. Não deu muito certo. Ela não se aquietava, a sorte que a moça da poltrona à frente estava afim de conversar com ela e não pareceu se importar com os trocentos chutes que Bia deu na poltrona dela. Apesar disso, ela não deu nenhum daqueles ataques histéricos típicos de momentos de birra e tals.

No aeroporto, nos encontramos com a família e os amigos. Nos dividimos em dois carros. Beatriz e Guto no carro do meu sogro, Artur e eu no carro do casal Isabela e Ulysses. Fizemos um lanchinho e seguimos estrada afora rumo a Dourados. Cerca de umas 3h de viagem. Foi tranquilo. Estava tarde, as crianças dormiram o trajeto inteiro. Aproveitamos bem o rápido final de semana para comemorar os 40 anos de casados dos pais do Guto, dona Miriam e seu Tocqueville. Nos demos conta que a mala com o presente havia ficado no aeroporto.

O percurso de volta foi mais apertado, viemos todos no mesmo carro. Guto, Beatriz, Artur e eu no carro do casal amigo. Era de dia, as crianças não dormiram o percurso todo e entretê-las foi um sufoco – salvo algumas cochiladas rápidas. Passamos a noite de domingo para segunda na casa de Bela e Ulysses e na segunda-feira cedo nos pusemos de volta à Brasília. Resgatamos a bagagem abandonada com o presente. Na volta foi mais tranquilo, Beatriz dormiu a viagem toda. Artur deu uma cochilada, mas acordado não deu trabalho algum.

Coloquei Artur no sling, peguei Bia pela mão, o marido foi buscar as bagagens. Meu pai nos buscou no aeroporto: crias, marido, eu, malas e cadeirinhas. Sucesso!

PS1: fui realmente surpreendida pelo novo espaço entre poltronas nos aviões da Gol. Há anos não viajava de Gol porque, mesmo sendo um pingo de gente, era muito desconfortável aquele aperto todo. Compramos as passagens com a companhia por conta de uma promoção e o aumento da distância entre os assentos foi um plus.

PS2: com certeza eu exagerei na bagagem das crianças. Levamos três malas. Uma com o presente, uma com as minhas coisas mais as do Guto e uma só com as coisas das crianças. E esta era a mais pesada. Basicamente coloquei todas as roupas delas ali. Para um curto período de 3 noites e 3 manhãs, não fez muito sentido. Além disso, a mochila do marido com seus gadgets e minha mochila com mais um tanto de coisa das crianças.

4 comments

  1. carol says:

    Adorooo seus relatos! Me identifique pois aqui também rolou xilique, cocô com direito a uma pequena turbulência bem na hora que estávamos trocando, revista rasgada, mamada antes da decolagem e choro na hora que era p ta no peito! Hahaha estamos juntas!

  2. Lane says:

    Ola!Encontrei seu blog por acaso. Tb sou de BSB, vou viajar com meu filho de quase dois anos e dessa vez irei levar a cadeirinha (9 36kg). Como vc fez para despachar? O que usou para proteger? Vou pela TAM. Adorei o blog. Parabens

    • Jéssica Macêdo says:

      Lane, mil perdões. Estive um pouco ausente nos últimos dias. Se ainda houver tempo… enfim, eu não fiz nada especial, apresentei a cadeirinha no checkin e eles a etiquetaram e colocaram num sacão grande, transparente. Se você preferir, sugiro embalar num plástico bolha. Mas, de coração, não vi necessidade. Fui e voltei com as cadeirinhas protegidas apenas por este saco plástico e deu tudo certo.

      Obrigada pela visita!!!

      Beijos

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