Mãe de dois ou mais: exercício da criatividade

Na semana retrasada estive de licença para ficar com as crianças que adoeceram, offcourse, juntas. Coloquei um no sling e a outra no carrinho para ir até a praça da quadra onde moro, pois o carro estava estacionado lá. Isso, após toda a maratona de alimentar, dar banho, vestir, arrumar a mochila e convencê-los de que “vamos sair, não precisam chorar”. Estávamos indo para a casa da minha mãe.

No meio do caminho desta leve caminhada de, sei lá, 300m, eu quase infarto. E não foi pelo peso da mochila, somado ao do bebê no sling e o esforço de empurrar o carrinho. Foi de susto mesmo. Antes que eu pudesse passar pela guarita, o porteiro surgiu como uma assombração, mas no fim era ele quem estava assombrado. “Minha nossa, Jéssica! Você está sozinha com os dois!!!”.

Não sei porque o espanto. Pois, diariamente, em algum momento do dia eu fico sozinha com os dois. Mas suspeito que a caricatura da cena deve ter evidenciado esse momento. E olha que era só a minha mochila nas costas. No geral estou, além de tudo, cheia de coisinhas na mão.

Me peguei refletindo nesta ocasião em especial após ler uma sugestão de uma leitora para que eu falasse como seria a maternidade de 2 ou mais, pois ela estava aguardando o terceiro filho.

Não sei para vocês, mas para mim, mesmo com toda a dificuldade do dia a dia é mais fácil ser mãe de dois do que apenas de um. Quero dizer, os perrengues são mais complexos, mas você já está mais experiente (exceto as que ganham dois logo de uma vez rs) e consegue ser mais criativa em determinadas situações.

bia-artur-mamaeComo Bia e Tutuco (apelido novo corroborado por mim e dado por Beatriz) têm idade aproximada, são ambos bebês, a luta é árdua porque os dois precisam de supervisão contínua. Não dá para dar banho no mais novo e esperar que a mais velha fique em segurança sozinha na sala desenhando. Ela vai subir em alguma coisa, vai mexer na caixa de areia, vai derrubar, vai cair. Com certeza! Então, aonde eu for com um, tenho que carregar o outro. E isso é puxado, desgastante.

Dia desses entreguei Artur no colo de um vizinho do qual eu não sabia o nome, só o cumprimentava à distância. Aloka! Mas fiz. Eu havia chegado há quase meia hora da casa da minha mãe. Era tarde da noite e não havia previsão da hora do marido chegar. Beatriz havia dormido no carro e eu não estava com o carrinho. Peguei Artur, sentei no meio fio e dei peito. Tentei ligar para um casal de amigos que mora no prédio, mas não deu certo. Acordar a pequena estava fora de cogitação, pois seria estresse para o resto da noite.

Então, estou lá eu, pensando em como posicionar os dois no colo, já que nem sling eu portava, até que apareceu este vizinho (obrigada, Jefferson!). Cheguei na maior: “boa noite, tudo bem? Posso te pedir uma super gentileza? É que estou sozinha com os dois, a mais velha dormiu no carro, preciso de ajuda para subir. Você pega este aqui no colo, por favor?!” E antes que ele pudesse responder, já fui estendendo Artur na direção dele. Confiei porque sei que ele tem uma filha, já o vi passeando com ela. Ele o pegou, então, peguei a minha Bia e subimos. A  coloquei na cama. Troquei mais algumas palavras com o bondoso vizinho e ele se foi.

Banhos coletivos também são uma mão na roda! Naqueles momentos em que os dois estão estressados, você exausta, coloca os dois no banho. Aqui já temos alguns itens essenciais: caixas de plástico (daquelas organizadoras) e tapete emborrachado. Coloco um em cada caixa para dar banho ou ambos sentados no tapete (desses de E.V.A. mesmo). É sucesso! Os dois brincam, relaxam, e, geralmente, após, dormem.

Em tese, ser mãe de várias crias é não ser tão neurótica como fomos na primeira viagem e muito criativa quando estamos diante de situações inusitadas. E não dá para negar, muitas vezes eu conto com a ajuda da tecnologia. Um pouquinho de TV enquanto troco a fralda de um ou levo a outra ao banheiro não vai fazer mal. Acho que cada uma saberá compreender seus limites e fazer uso daquilo que está à mão. Ter quem ajude também é muito interessante, tem dias que estamos esgotadas. Compartilhar responsabilidades é essencial. Pai, como já disse aqui outras vezes, não precisa ajudar, ele deve compartilhar. A responsabilidade é tão dele quanto sua.

Compartilhando afeto!

Compartilhando afeto!

Além do mais, essa maternidade de muitos ajuda muito na educação dos nossos filhos. Temos diante de nós oportunidades únicas de ensinar que o mundo é um todo, que não estamos sozinhos e que precisamos aprender a compartilhar. Colocamos os filhos, querendo ou não, para interagirem entre si. Às vezes pela necessidade, eles acabam reconhecendo naquelas outras personalidades familiares o apoio de que necessitam para viver. Acredito muito nos benefícios de ser ter irmão(s).

Lendo/desenhando na casa da vovó

Lendo/desenhando na casa da vovó

Por outro lado, acho válido permitir momentos exclusivos com cada filho. Vez ou outra sair só com um, dedicar uma atenção especial. Assim podemos reparar nos seus medos,  nas angústias e dificuldades. E eles podem reparar melhor em nós, como figuras protetoras, amáveis e dedicadas (afinal não estaremos estressadas porque um está pegando a comida coma  mão e metendo na boca do outro, enquanto o outro se esguela para trocar a fralda..).

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