#resenha | Call the midwife (até a terceira temporada)

Cartaz do seriadoZapeando pelo Netflix, encontrei a série “Call the Midwife” baseada nas memórias de Jennifer Worth, uma parteira da década de 50. Me interessei porque tenho muita curiosidade sobre o tema e qualquer coisa que agregue conhecimento é válida.

Achei a fotografia e a ambientação impecáveis. Quase que um teletransporte à época vivida na Londres antiga. A realidade de uma sociedade preconceituosa, com desníveis sociais imensuráveis e uma medicina ainda muito precária muito bem retratada em três temporadas. Fico imaginando como seria ler os livros – dos quais só soube após assistir à série toda e pesquisar sobre a protagonista.

Trailer da terceira temporada

Não posso afirmar com certeza que tudo ali foi fiel à realidade, mas acredito que boa parte sim. Alguns partos pareceram reais, com barriga de verdade, água da bolsa saindo junto com o bebê, sangue, cordão no pescoço… Em outros, o bebê parecia já nascer grande e de banho tomado. Mas estes foram mais raros, talvez por um descuido da direção e da produção.

Em toda a série, teve um caso de bebê empelicado (que nasce dentro da  bolsa), alguns casos de depressão pós parto, natimortos e falecimento algumas horas após ao parto. Alguns casos de prolapso do cordão (quando o cordão sai antes do bebê) foram conduzidos e resolvidos pelas próprias parteiras, outro (já na terceira temporada) acabou em cesárea. Aliás, só houve dois relatos de cesárea em toda a série.

Um contexto comum da época retratado foi a incidência de várias gravidezes seguidas. Mulheres com cinco filhos ou mais, muita pobreza, pouco conhecimento acerca da gestação, do parto e dos cuidados com o bebê.

Houve algumas menções ali valorosas sobre como a inserção do médico no ambiente do trabalho de parto tirou da mulher o protagonismo, a importância da rede de mulheres entorno da mulher prestes a dar à luz, o preconceito sobre o papel do homem [pai] no processo gestar-parir-amar. A mudança do modelo de cuidados durante o pré-natal, em que se fazia visitas domiciliares às gestantes e se avaliava a condição delas para um parto domiciliar, para um modelo mecânico, padronizado e rígido baseado em protocolos hospitalares. Onde o cuidado e a imersão no contexto daquela mulher é deixado de lado.

O fascinante nessas regiões é a ausência de dor na hora do parto, já que as mulheres não esperavam sentir dor. O parto aconteceu sem medo.

Vamos comparar aos nossos partos. É um momento de dor e medo. Os instintos maternos são ignorados por um médico bem intencionado, porém patriarcal, que conta com o auxílio de instrumentos e analgésicos.

A tensão afeta diretamente o parto, causando dor para a mãe e o bebê e, ouso dizer, até o laço entre os dois. (Temporada 3, ep. 3, episódio 2)

Parto domiciliar

Parto domiciliar

 

Quem tiver interesse, vale a pena assistir ao seriado que está disponível no Netflix e foi transmitido pela BBC One. Agora estou em busca dos livros da Jennifer Worth. Três sobre sua trajetória como enfermeira obstetra: “Call the midwife”, “Shadows of Workhouse” e “Farewell to The East End”. E um como enfermeira de doentes terminais “In the Midst of Life”.

E por falar em doentes, a série mostra como certas doenças acometiam pessoas àquela época de forma quase sempre fatal. Os tratamentos eram ineficientes, pouco se sabia sobre elas e a prevenção (quando passível) era precária. Algumas como poliomielite, tuberculose, câncer e fibrose cística. Também era comum as famílias abandonarem as crianças que nasciam com alguma tipo de doença congênita ou deformação. Há também a questão da guerra devastando famílias, causando dor, sofrimento e doenças a médio e longo prazo. São itens, talvez meio distantes do nosso dia-a-dia, porém muito atuais.

Serviço:

Call the Midwife é uma série de televisão britânica criada por Heidi Thomas, baseada nas memórias de Jennifer Worth no leste de Londres em 1950. Foi transmitida pela BBC One e estreou em 15 de janeiro de 2012. Wikipédia

No Netflix, as três temporadas estão disponíveis até o dia 1 de janeiro de 2015. A quarta temporada está sendo gravada e estréia com o especial de natal agora em dezembro e o primeiro episódio em janeiro de 2015 na BBC. Esta nova temporada não contará com a participação da atriz Jéssica Raine, que vive a personagem de Jennifer Worth (na história Jennifer deixa o Lar Nonato e a vida de parteira, para cuidar de enfermos terminais). Há previsão de uma quinta temporada. Já estou ansiosa.

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