VBAC e ruptura uterina

VBAC é a sigla que muda e descontrói todo aquele discurso furado de que uma vez cesárea, sempre cesárea. Descobri isso ao ler relatos na internet e enfim, tive o meu tão sonhado parto normal. Ué, então quer dizer que VBAC significa parto normal após cesárea? Garota esperta! Isso mesmo.

Varginal Birth After Cesarean em inglês, ou PNAC, parto normal após cesárea, em português, é uma realidade cada vez mais comum hoje. Mesmo com muitos médicos cesaristas sentenciando a mulher com cesárea prévia à outra cesárea, a verdade é que é mais saudável para o útero desta mulher ter o próximo bebê por parto normal do que por outra cirurgia.

Comumente o médico alega que o risco de ruptura do útero no parto normal é maior quando este útero traz em si a cicatriz de uma cesárea. Mas vamos falar de evidências. Até que ponto esta alegação é verdadeira?

O que você precisa saber sobre ruptura

Ruptura uterina: é a separação da parede uterina através da espessura da incisão da cesariana anterior.

Como acontece a ruptura uterina: o tecido onde há a cicatriz vai expandir e esticar conforme o crescimento do útero durante a gravidez. Essa expansão pode tornar este tecido mais fino a ponto de causar a deiscência (reabertura de uma ferida previamente fechada).

Números: na incisão uterina transversal anterior o risco de ruptura é muito baixo, entre 0,2% e 1,5%). Já as incisões uterinas verticais (aquelas que formam um “T”) têm risco muito maior, de 4% a 9%.

Histórico: se engana quem acredita que rupturas uterinas acometem somente mulheres com cesarianas anteriores. Há casos de mulheres que nunca foram submetidas a cirurgia, mas tiveram ruptura. Nestes casos, a causa pode ser a fragilização da musculatura uterina após várias gestações, o uso demasiado de agentes de indução do parto e até mesmo o uso além da pélvis do fórceps.

Concluindo: ou seja, a ruptura uterina é rara e não é exclusiva de mulheres com cesárea prévia.

Alguns médicos costumam pedir um tal de “exame de medição da expessura da cicatriz da cesárea“, minhas amigas, este exame não é seguro e não possui embasamento científico para prever ou prevenir algo. A verdade é que a ruptura uterina não pode ser prevista e de fato prevenida, o que há para se fazer é evitar fatores que a favorecem:

  • Indução do trabalho de parto com o misoprostol;
  • A incisão da cesariana prévia ter sido fechada com uma só camada de suturas (single-layer closure – comumente realizada nos últimos anos para diminuir o tempo da cirurgia) em vez da sutura em duas camadas.
  • Gravidez e trabalho de parto em tempo inferior a 18 meses após a cesárea anterior. (entretanto há diversos relatos de mulheres que tiveram o VBAC com menos de 18 meses – no meu caso foram 17 meses de intervalo)
  • A incisão uterina vertical

Há outros fatores, porém questionáveis, como a idade da mãe ser superior a 30 anos, ter duas ou mais cesáreas anteriores, trabalho de parto após 40 semanas de gestação.

Enfim, então quem pode ter um VBAC? A priori, toda mulher pode resgatar o seu parto na segunda, terceira, quarta, seja lá qual for a gestação. Para se entender como o parto normal é mais saudável  para quem tem cesárea prévia do que outra cesariana – e isso é uma reflexão para todas nós -, imagine um machucado que toda vez que a ferida é cicatrizada eu a abro novamente. Faz sentido isso? A cesariana é a mesma coisa. A mesmíssima coisa.

Este post contém informações dos seguintes links, os quais recomendo a leitura para quem busca seu VBAC.

  • VBAC  – http://www.vbac.com/what-is-a-uterine-rupture-and-how-often-does-it-occur/
  • Exame da expessura da cicatriz – http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/07/exame-de-espessura-da-cicatriz-da.html
  • VBAC – http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-vbac-1-experiencias-de-vba3c.html

E se alguém aí tiver relato de vbac e quiser publicar aqui no blog, por favor, envia pelos comentários ou pelo formulário de contato.

Beijos

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