Sozinha com dois bebês no avião

Meu sonho de consumo é férias da família todos os anos. De forma meio capenga, conseguimos neste começo de 2015 providenciar isto. Porém, maridão não pôde ir alguém tem que trabalhar nesta família, então me joguei no mundo sozinha com as duas crias rumo à Natal – RN. A princípio iríamos de carro aloka com meus pais, mas fomos de avião graças a Deus.

A IDA

Eu sempre falo da companhia aérea, porque serve de parâmetro pra quem lê o blog. Dei mais uma chance à TAM e fomos com ela. Dessa vez nem pedi bercinho nem nada, pra evitar a fadiga. Offcourse que nos atrasamos muiiiito! Mesmo deixando malas prontas e tudo mais, sair de casa com dois é tenso e chegamos lá em cima da hora. O embarque já estava sendo encerrado e eu fazendo checkin, me julguem. Mas a atendente foi muito solidária e avisou ao pessoal em terra que tinha uma mãe loka com uma criança pestinha   e um bebê monstrinho a caminho.

Quem já passou pelo aeroporto de Brasília após a reforma tem noção que eles fizeram uma versão de Brasília lá dentro: tudo é longe. Tasquei Artur no Sling e Bia no carrinho e saí na corrida. Passei pelo detector de metal e claro que não foi fácil. Tira bebê do carrinho, passa. Tira o bebê do sling, passa. Coloca bebê no sling. Coloca bebê no carrinho, corre. Até tive câimbra. Foi quase uma maratona chegar do balcão do check-in até o portão 23. Depois vou tentar descobrir quantos quilômetros são.

Finalmente no portão de embarque, a moça checa os documentos que, com muita destreza, tirei da mochila enquanto corria. Ok! Cheguei na entrada da aeronave e meio que tive que gritar pra comissária vir dar um help tirando Beatriz do carrinho. Mesmo com Artur no Sling, fechei o dito cujo e eles o despacharam. Lembrando que, para isso, o carrinho já havia sido devidamente etiquetado no check-in. Entramos. Fomos os últimos, sim. Nos acomodei. Nossas poltronas eram da janela e do meio, na quarta fileira. Bia na janela. Eu e Artur no meio. Tinha um senhor sentado na do corredor. Um comissário muito esperto e benevolente sugeriu ao senhor que pulasse para a poltrona da frente: “- Que tal o senhor vir se sentar aqui? Assim ela fica mais à vontade e o senhor também!“. Ele foi, graças ao meu bom Deus.

Duas horas e 20 de viagem. A primeira hora foi muita criatividade envolvida. Brinquedinho, conversa, cantar musiquinha, fazer cosquinha, peito pra quem mama, peta até enjoar. Vieram com o lanchinho, Bia comeu. Artur tomou água e seguiu na peta. Eu comi! <3 🙂 😀

Hora do lanche

Hora do lanche

Alimentados e cansados da maratona de acordar cedíssimo (pois o vôo era pela manhã), pegar o trânsito, fazer o trajeto dentro do aeroporto e a brincadeira na aeronave, pegaram no sono numa nice. Para o meu alívio e felicidade dos demais na aeronave. Foi tão fácil, que me perguntei “como eu ainda não tinha feito isso antes”. Mas é claro que era sorte de principiante…

Quando a aeronave pousou, aguardei que saíssem os mais apressadinhos. Enquanto isso recolocava o sling segurando o Artur na poltrona com uma mão e convencia Bia a esperar mais um pouco. Ela repetia sem parar “cadê a praia?”. Menino no sling, falei para a Bia antes de nos levantarmos: “vamos sair do avião e você não poderá soltar minha mão. Combinado?”. Ela respondeu com “cadê a praia?”, mas segurou a minha mão.

Na esteira de bagagens, peguei a tranqueira toda. Duas malas, uma caixa de isopor com papinhas congeladas (te amo, Bianca), bebê conforto do Artur e carrinho. Isso com menino no Sling e tentando manter a pequena toddler por perto. E quando eu achei que estava tudo ok pra sair, ela pegou um brinquedo e colocou na esteira. Tive que esperar meia hora até o brinquedo passar pela gente de novo. GZUS!

Lá no desembarque estavam meu familiares. Era como se eu olhasse pra Deus! AHAHHAHA

[Em breve publicarei posts sobre as férias em si]

A VOLTA

Como eu disse, sorte de principiante. A volta foi meio louca, meio tensa. As crianças não estavam tão cansadas, nem com sono. O voo era à tarde, tinha gente com a corda toda. Chegamos cedo ao aeroporto, fizemos toda aquela saga de despachar bagagem, passar pelo detector de metal e tralálá. Mas acho que o ar condicionado do aeroporto de Natal não estava funcionando. Aquilo parecia um forno e eu com um menino no sling, empurrando de um lado para o outro o carrinho com Bia pois tinha que distraí-la até o embarque. Quase uma hora de muitos : “espera um pouquinho, o avião vai chegar.”, “olha que lindo o céu azul…”…

À espera de um milagre

À espera de um milagre

Quando finalmente fomos embarcar, eu não conseguia mais empurrar o carrinho. Mas surgiu uma senhorinha, também passageira rumo à Brasília, querendo conversar e se dispôs a me ajudar. Empurrou o carrinho e me ajudou a levar Bia até o seu devido lugar. Enfim embarcados, tivemos que aguardar aquele período que parecesse uma eternidade: quando você já se acomodou, mas ainda tem gente entrando na aeronave.

Pra piorar, rolou um overbook. Tinha passageiro indignado, querendo desistir do voo. Daí teriam que tirar todas as bagagens, para retirar a dos desistentes. Eu não sei o que fizeram, mas coube todo mundo no avião. Então partiu. Dessa vez, sem querer, peguei o lugar da janela, mas não era meu. O senhorzinho não se chateou e topou ficar com o do corredor.

A volta pareceu ter durado umas 5 horas. Gastei toda minha criatividade, ladainha e paciência. Bia não ficava quieta. Mexia com a poltrona da frente, mexia com a de trás. Saía do cinto, jogava a revista e o caderno de instruções do avião para a poltrona atrás da nossa. Queria vir para o meu colo e eu com Artur no peito. Na hora que serviram o lanchinho ela olhou pra comissária e disse “Eu quero o arroz da tia Jôsi”. Não a julgo por isso. Também desejei outra coisa ao ver aquele bolo de pacotinho que tem gosto de coisa velha e duas bolachinhas de água e sal.

Tudo o que eu falava com ela era motivo pra choro. Afinal, estamos na fase latente dos Terrible Two aqui. Ela derramou suco em mim, chutou a poltrona da frente, aquela coisa linda! Ai meu Deus! E quando eu achava que nada mais poderia acontecer ela disse: “fiz cocô”. Como agradeci a Deus por ter colocado fralda nela (mesmo com o desfralde um sucesso). Um cara no outro conjunto de fileiras se abanou, se levantou e disse: “tá doido, minha senhora”. Também não o julgo. Tinha um bebê chorando à sua frente e outro atrás, daí subiu a catinga brava, é muita informação pra quem tem uma vida fresca.

 

Daí que pensei em esperar chegar à Brasília para trocá-la, mas Artur decidiu fazer cocô também. Me coloquei na fila que se fazia para usar o banheiro do avião. Todas as mães e pais com bebês a tira-colo pra trocar a fralda. Quando entrei, coloquei Artur no trocador e Bia atrás de mim. O espaço mínimo não permitia muita coisa. Troquei o muleque e fiquei matutando como faria para trocar Bia se Artur ainda não fica em pé sozinho. Abri a porta, olhei bem a comissária e disse: “oi, segura pra mim!” e entreguei o pequeno pra ela. Limpei Bia e a coloquei pra fazer xixi no vaso. Aproveitei e fiz também porque também sou gente.

Voltamos pros nossos lugares e foi uma novela. Bia chorava por tudo. Se debatia, me batia, acertava o irmão. Queria colo, queria atenção, queria praia e queria tudo. Perdi a paciência, falei firme com ela e dei um tapa na minha perna quase acertando nela. Ela se assustou, se sentou no lugar dela, encostou no meu braço e dormiu. Dois minutos depois o avião pousou. Imaginem meu contentamento.

Descemos, andamos as léguas todas do aeroporto de Brasília até a esteira das bagagens. Fui de leve até a saída do desembarque e entreguei as crias à minha irmã que nos aguardava e voltei pra pegar a bagagem que claro, estava maior e mais pesada depois das “férias”.

3 comments

  1. Bianca Holanda says:

    Nossa já passei por situações parecidas, (tenho Alice de 4, e Saulo de 2 anos, 31 semanas de gravidez) estou rindo aqui no trabalho imaginando sua saga nesse avião. Nunca viajei com os meus, mas lendo sobre a parte do cocô me recordei do dia em que fui escolher uns móveis com minha mãe, Saulo tinha 7 meses, e estava de fralda, quando percebi meu vestido estava todo sujo de cocô, a fralda havia vazado, Gsuis!! paguei o maior mico e saímos de lá sem comprar nada, tamanho foi o estrago.. rsrsrs

    • Jéssica Macêdo says:

      hahahah Bianca, esses acidentes são complicados. Bia já fez isso comigo uma vez no shopping.. eu estava na salinha de amamentação, ela se cagou toda, me cagou, cagou a almofada, a poltrona e a mãe à minha frente não se conteve e danou a rir. Eu simplesmente não sabia o que fazer, pra onde correr. Foi tenso ahhaha

Responder