Ela não usa mais fralda – desfralde da Beatriz

Esta semana, estávamos no restaurante e ela: -“mamãe, quero fazer cocô!”. Opa, vamos lá. E  fomos ao banheiro do estabelecimento. Ela aguardou que eu cobrisse o assento do sanitário, a coloquei lá e ela fez. A limpei, dei descarga, lavamos as mãos e retornamos à mesa. Quando, então, me dei conta: DESFRALDE COMPLETADO COM SUCESSO. Já estava tão normal na nossa rotina em casa, que não havia percebido a grandeza disso: minha filha não usa mais fraldas. Mesmo!

Tudo começou no dia da festinha de aniversário de dois anos dela [10/2014]. Preparávamos itens para levar para a festa (um piquenique no parque), quando ela tirou a própria fralda e fez um cocozão no meio da sala do nosso apartamento. Era chegada a hora. Ela não queria mais usar fraldas e demonstrou certa habilidade em controlar sua necessidade e tirar a fralda para atendê-la. Ela já tinha o hábito de nos avisar que queria fazer cocô, mas geralmente ela fazia logo em seguida ou então nos avisava quando já tinha feito. Quem lembra do vídeo dela falando pra Dona Pedra que havia feito cocô? Ela tinha 1 ano e 8 meses.

Bia avisando que fez cocô. #instababy #instavideo #babygirl #1anoe8 #menina #maecoruja #maedemenina

Um vídeo publicado por Blog Me Sinto Grávida (@mesintogravida) em

Então, após o final de semana da festa de aniversário, combinamos com a tia da escola de iniciarmos o desfralde. Isso incluía não somente tirar sua fralda, mas preparar o nosso psicológico e o dela para lidar com muitos acidentes no trajeto. Xixi e cocô – esteja pronta para lidar com isso. Nesta ocasião Artur já estava com seis meses, então não seria algo que ela associaria ao irmão, à chegada dele ou a algo do tipo. Mas ao momento dela: você está crescendo, minha filha. Quer tentar?

As tias da escola pediram: “muitas mudas de roupas a mais (deveriam ter pedido sapatos também) e mantenham o desfralde em casa. Não adianta desfraldar na escola e em casa usar fraldas. Isso vai confundi-la”. Certo! Vamos lá 😉 Começamos em outubro de 2014. Tudo começou muito bem, quase sempre sem acidentes na escola, vez ou outro em casa.

Perguntávamos sempre: quer fazer xixi? quer fazer cocô?
Às vezes ela respondia que sim. Outras respondia que não e acabava fazendo na roupa. Não adianta brigar. Era hora de explicar: lembra que eu te perguntei se você queria e você disse que não? Era para evitar que você fizesse na roupa. Vamos combinar de quando você sentir vontade, irmos ao banheiro? Combinado? “combinado, mamãe!”

Mas nem sempre eram flores. Tinha dias que eu estava só com os dois, naquela loucura toda e pá: ela fazia xixi na roupa. Deixava o outro chorando de um lado, a trocava do outro. Um dia em especial que me lembro: marido viajando, eu só com os dois em casa. Dei banho em todo mundo, nos aprontamos para ir para a escola. Era dia de levar uma fruta, passei no mercado toda confiante “vou dar conta dos dois, vai ser sussa”. Pegamos a fruta, estávamos no caixa, já pagando a compra quando: “mamãe, a Bia fez xixi”. Nesta ocasião ela ainda se referia a si mesma em terceira pessoa. Eu não sabia bem como lidar, já que estava com o outro no colo. Catei umas sacolas e disse: o jeito é ir assim mesmo pra escola. Lá a gente troca de roupa! Forrei a cadeirinha do carro e fomos. Isso aconteceu outra vez, da mesma forma. E sim, ela tinha feito xixi antes de sair de casa, no vaso, direitinho.

Águas (xixis) passadas!

Para dormir, sempre colocávamos uma fralda. Por precaução mesmo. Porém, mesmo antes do desfralde, Bia já não fazia xixi durante o sono. A fralda sempre amanhecia seca. Então, com um mês e meio de desfralde diurno, decidi pelo desfralde noturno também. Nesse percurso todo, até aqui, só houve um incidente na cama e já era pela manhã.

Teve um período, não muito distante, que na escola ela não estava mais tendo sucesso no desfralde. Conversas e mais conversas com a tia, percebemos que ela e mais uma coleguinha eram as únicas que não usavam fraldas mais na turma e aquilo meio que a desmotivava. Quando a amiguinha se ausentava, ela não pedia e sempre se recusava a ir ao banheiro. Conversamos muitas e muitas vezes. Agora a turma toda está desfraldando e ela voltou a responder positivamente ao desfralde. [algo entorno do mês de março]

Posso ressaltar também que essa coisa de xixi e cocô sempre foi muito naturalizada para as crianças aqui em casa. Especialmente, para a Beatriz. Desde pequena, ela me acompanha nas idas ao banheiro. Sempre explicava para ela “mamãe vai fazer xixi. Mamãe vai fazer cocô”. Algumas vezes perguntava se ela queria tentar. Chegamos a comprar um penico, que ela usava como cadeira e nunca foi usado para seu fim original.

Também tivemos a fase de dar tchau para o xixi e tchau para o cocô. Sem apego, mostrando o quanto é natural esse processo: a gente come, o corpo absorve o que importa, a sobra é o cocô/xixi que se vai embora pelo sanitário.

Aliás, tudo é fase. Teve uma semana dessas aí para trás, que não restou um sapato limpo dela. Ela fez xixi na roupa todos os dias na escola. O legal é que ela mesma fazia questão de me contar: “mamãe, eu fizo xixi na minha roupa na minha escola” [ela tem esse negócio de posse, o pronome ‘minha’ está presente em frases que não fazem sentido ter: “na minha casa da vovó”]. Entendo como parte do processo, mas sempre busco uma justificativa: uma mudança de hábito, uma alteração no comportamento, alguma novidade…

Às vezes ela me pede para colocar fralda nela, mas por me ver colocando no irmão mais novo. Inclusive, vira e mexe, ela quer o mesmo tipo de atenção que ele tem, então mistura as coisas. Tipo esse negócio da fralda. Aí eu explico: mas a Bia já é uma menina [evito ao máximo o termo mocinha] que faz xixi e cocô no vaso. Não precisa de fraldas, né? Ela concorda e supera numa boa.

Há também a nossa sensibilidade à fisiologia da criança. Você começa a perceber quando ela quer ir ao banheiro, mesmo que ela não fale porque está muito entretida com algo, por exemplo. Beatriz, quando quer fazer xixi, leva a mão entre as pernas (como se fosse para segurar o xixi). Pergunto se ela quer ir ao banheiro e ela responde positivamente já se direcionando para lá. Às vezes ela solta pum. Pergunto se ela quer fazer cocô e ela responde negativamente, insisto um pouquinho e vamos ao banheiro. Ela faz cocô.

Nesse processo todo, aprendi muito. Minha primeira filha. O primeiro desfralde que vivencio, então são vários sustos, acertos e erros. Mas estamos aí, com uma menina desfraldada e sem traumas. Em resumo:

– respeitar a criança estar pronta. Não adianta forçar, adiantar;

– manter a calma (mesmo que o mundo esteja desabando) para não assustá-la em situações que já são adversas;

– cocô e xixi é natural, não pode transformá-lo num bicho papão (mesmo quando a criança está prontinha para ir a um casamento e se mija toda0;

– você pode ter altas conversas interessantes enquanto sua prole está defecando no vaso;

– esteja pronta para sair correndo para ir ao banheiro, no mesmo momento em que frita um bife e segura o filho mais novo no colo;

– você sempre será a última a fazer xixi ou cocô;

– o pai, suas amigas, os avós também devem participar do processo e lidar com ele da mesma forma que você.

É isso, tentei compilar rapidamente o que vivemos nesses 9 meses desde que iniciamos o desfralde. Temos aqui, uma menina de 2 anos e 9 meses desfraldada e feliz.

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