Culpa, promessas e coisas que o Peter Parker me ensinou…

Ninguém conta pra gente que a vida materna não é só flores, que assim como todo jardim existem espinhos, flores murchas e nem todos os dias são só sol e brisa leve. Alguns dias você vai se culpar por alguma coisa, e nos outros também, mas olha só: Faz parte! Ainda não desapeguei da culpa (nem do sutiã horroroso de amamentação… só não espalha por aí!), eu tento, juro que tento, mas nem sempre sou a super-heroína que o mundo adora pregar que toda mãe é.

Assim como você, eu já deixei o bebê acordado alguns minutinhos a mais no berço enquanto juntava coragem inexistente para levantar da cama. Já devorei comida fria porque estava cansada demais pra esquentar tudo, quando na realidade só queria tirar um cochilo. Levantei depois que o pequeno dormiu para comer o chocolate que não saiu da minha cabeça em vários momentos do dia. Só que existem as culpas mais cruéis, aquelas que cutucam a alma e apertam o coração… E são elas que tiram o sono, e as vezes dificultam o convívio com a harmonia… Já perdi a paciência porque não consegui descansar, porque algumas noites são longas e as horas de sono são poucas, já chorei embaixo do chuveiro por achar que tudo está errado, já enlouqueci por um dia inteiro quando não consegui entender aquele choro continuo do bebê, já me culpei porque achei estar preparada e saber de tudo, mas na realidade a gente percebe que não sabe de nada, que quem ensina a gente é o dia-a-dia, é a luta, são as lágrimas, é a maquiagem de panda que não sai mais do rosto, é o cabelo sempre preso num coque porque as horas que me sobram eu prefiro passar com o guri, ou o marido, ou até dormindo (momento ostentação), ao invés de correr para o salão e ficar toda emperiquitada, porque você e eu sabemos que horas de sono, ou lazer, valem mais que as unhas pintadas com a nova cor da estação.

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                 A culpa devora a gente pela perna, pelo braço e a gente acaba percebendo que, muitas vezes, faz parte, porque o mundo ainda espera muito da gente.

Antes de ser mãe sempre abominei promessas vazias, promessas impossíveis, promessas que a gente faz mesmo sabendo que não vai cumprir, agora que sou mãe, por mais que eu tente evitar (e olha que eu tento!!!) não consigo, nada muito sério, nada que ameace a paz mundial, mas escolho fazê-las murmurando, ou apenas por sussurros (por algum motivo me parece menos ameaçador assim). Volta e meia me pego dentre “Nunca vou deixar nada te ferir, meu filho!”, “Vou fazer do mundo um lugar melhor para você!”, “Vou sempre estar ao seu lado!”… Por mais poéticas e utópicas que essas pequenas afirmações sejam, sei que elas não são 100% verdade, e você também sabe, mas nós duas sabemos que não é fácil, nem simples, nem aconselhável, por mais que seja lindo imaginar que sempre seremos escudo para os males que possam afligir nossas crias, não seria justo com eles (aprendi isso com a Dory), eles merecem suas próprias experiências, suas próprias lutas, merecem traçar seu caminho e desbravar o mundo com seus pequenos pezinhos. A gente só pode esperar, e torcer, para ser tão presente quanto possamos ser, para que a vida e o destino permitam que sejamos auxilio, colo e amor. Porque a melhor herança que podemos deixar para nossos filhos são exemplos.

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Então a dica que fica é: Respira fundo, segue em frente e devore a culpa com Nutella, antes que ela devore você.

 

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