Medo do segundo filho

O segundo, para mim, não foi nada planejado. Nem sequer cogitava a possibilidade. Já era muita emoção ter um bebê em casa, estar aprendendo coisas novas diariamente. Pra quê mais um? Tudo aquilo já era satisfatoriamente difícil e prazeroso ao mesmo tempo. Não precisava de mais nada.

Então vieram os enjôos, a dúvida, o teste de farmácia: você está grávida de novo! De novo!!! Não fazia nem um ano que eu estivera grávida. Como aquilo pôde acontecer? Como eu pude permitir? Fiquei péssima com a novidade. Assim, na lata! Não queria. Quando descobrimos a nova gestação a primeira tinha 9 meses. Estava começando a ficar divertido ter um bebê em casa, que demandava, mas também permitia. Eu estava bem no trabalho. Me passava pela cabeça duas coisas: como será cuidar de dois bebês? e caramba, vou recomeçar tudo de novo.

Ainda tinha que ouvir as piadinhas de terceiros. Por mais que o intuito seja só tirar um sarro, enchem o saco da gente. Já estamos a mil com a novidade, cheias de incertezas e medos e vem um palhacito “não conhece camisinha, não?!” Dentre tantas outras gracinhas insuportáveis a se ouvir. Isso enche! Sério, parem!

E por falar em parar, meu pai  – que teve cinco filhos no primeiro casamento e dois no segundo – ainda veio me repreender. “Jéssica, agora chega, né?! Tá bom!!!” Entendo que primeiramente vem a preocupação dele comigo, de preservar meus ideais e minha criação voltada para me tornar uma mulher independente e bem sucedida. Sua preocupação era que eu me tornasse uma esposa, dependente do marido e cheia de filhos. Nada contra quem é, mas ele me criou para o contrário e vi na cara dele o medo de que isso mudasse de prumo.

Então era toda uma carga pesando. Não nego que fiquei muito triste. Olhava a mais velha e pensava que talvez eu não fosse boa em dividir o amor, não fosse boa em dividir atenção e acabasse sendo menos envolvida ou com ela ou com o que estava em meu ventre. Vislumbrava, se é que essa palavra cabe aqui, os dias difíceis que viriam. Meu Deus! Como aquilo me angustiava.

Quando cheguei ao médico pra primeira consulta de pré-natal, ele já me sentenciou com outra cesárea. Aquilo me deixou ainda mais desmotivada. Outra cirurgia. Minha recuperação havia sido tão terrível, se é que me recuperei por completo. Só de imaginar viver aquilo de novo, me arrepiava. Que horror! Uma criança em meu ventre e eu só conseguia pensar no quanto tudo aquilo era um martírio.

Então veio um anjo que, sinto muito não me recordo quem foi, me disse pela primeira vez o que eu precisava ouvir. Foi algo do tipo “você está certíssima, tenha logo um pertinho do outro e vai passar dessa fase de uma vez. Logo eles serão companheiros e você colherá os frutos”. Foi a coisa mais maravilhosa do mundo para se ouvir!

Após esse doce alento, passei a aceitar a gravidez. Já com uns cinco meses, comecei a amar aquele bebê e a colocar a pequena para participar do processo. Tudo foi se encaixando. Os medos existiam, mas também havia uma coragem enorme de enfrentá-los e aqui estou, enfrentando todos os dias. Colhendo as dificuldades e alegrias de maternar dois de idades próximas. Basta enfrentar com amor que o resto se resolve.

Interação entre irmãos

Interação entre irmãos

PS: Tenho o mesmo amor pelos dois e uma gratidão enorme pela chegada do Artur. Com certeza ele só acrescentou amor à nossa família, mudanças positivas e aproximação.

3 comments

  1. Rafaela says:

    Também sou mãe de dois. Isabela (4) e Rafael (10 meses). No início achei que iria enlouquecer! Mas com muito amor, tudo se resolve!! Parabéns pelos filhos lindos!! Seu blog é lindo!

    • Jéssica Macêdo says:

      Olá, Rafaela!!!
      A gente se vira, né? Comentei ontem com outra mãe de dois que a gente chega no pico da loucura e depois tudo se acalma. É como dizem, depois da tempestade vem sempre a bonança. Obrigada pelo carinho, quero te ver mais vezes aqui. Beijos

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