Na minha timeline eu quero amor. No mundo eu quero paz!

Quando me tornei mãe, me tornei mãe de várias crianças. É impossível não sentir amor por todas quando você já tem amor por uma. Logo, sempre que acontece algo a um desses seres indefesos, meu coração chora porque acabo me colocando no lugar daquela família. É inevitável o sentimento de que aquele ali poderia ser um dos meus.

Foi por isso que evitei (e continuo evitando) a imagem do menino Sírio afogado na beira da praia; é por isso que não deixo meus olhos recaírem em vídeos de espacamento, de humilhação, de maus tratos. É por isso que não vejo intencionalmente imagens de crianças mortas, sofridas, desamparadas. Não vejo pois só consigo enxergar meus filhos ali, e isso pode até parecer um pouco egoísta, mas prefiro não me sentir assim.

Há algo mais palpável a se fazer do que compartilhar a desgraça nas redes sociais de forma unicamente sensacionalista, apelativa. Não consigo enxergar um efeito prático na tal comoção que tomou conta das redes sociais na semana passada com a imagem do menino Sírio. E como ele há muitos, bem pertinho da gente.

Um menino preto, pobre, de apenas 13 anos morto em tiroteio na favela Manguinhos enquanto acudia uma senhora caída no chão não teve a mesma comoção. A impressão que eu tenho é da existência de uma responsabilidade social fantasiosa apenas para cumprir seu papel na sociedade. Algo meio que para cumprir tabela, por mais que haja boa intenção. É como se compartilhar aquilo fosse suficiente para se isentar da responsabilidade do que está ao nosso alcance: as centenas de milhares de crianças vivendo em risco social pela miséria, pelas drogas, pelos conflitos por terra. Elas estão por todas as partes, nas nossos ruas, favelas, abrigos e há sempre algo mais prático a se fazer por elas.

Como bem disse Renata Penna, “tem uma Síria bem aqui do lado, gente”. E se cada um fizesse a sua parte? Lembro de algum ensinamento religioso na infância que dizia: “não adianta querer acabar com a guerra do mundo se a nossa casa vive em guerra”.

One comment

  1. Gabbe says:

    Acho que toda mãe virou mãe de todas essas crianças que sofrem todos os dias, não tem como não se colocar no lugar, passei a semana passada inteira chorando pela situação dele e em como eu sou ingrata por reclamar da minha vida! Essa frase é pura realidade, não tem como resolver o problema do mundo se o seu está virado :\

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