Mais amor e menos juízes, por favor

Está faltando amor e empatia no mundo. Estamos sempre prontos a sacar o celular e invadir o espaço do outro, esteja o outro certo ou errado, para ganhar – quem sabe?! – uns minutinhos de fama na internet. O vídeo do garotinho de sete anos derrubando as coisas dentro de uma sala de aula é um bom exemplo disso.

Confesso que nem assisti ao vídeo. Vi trechos por conta dessa visualização automática do Facebook e só pude sentir por ele compaixão. Ele precisava de um abraço, daqueles bem dados e sinceros. Mas o que obteve? Uma criatura responsável por dirigir a escola querendo atenção. Ela queria atenção pra ela, não para o menino, não para solucionar os problemas dele.

Você já teve 7 anos e, provavelmente, já sofreu algum tipo de agressão, seja física ou psicológica, por parte de meninos maiores. Se não sofreu, teve muita sorte. Eu sofri. E olha que sou branca e magra, estou longe de ser o alvo das condenações mais comuns que vemos por aí. Foi o que ele disse para justificar o seu comportamento “estava nervoso porque meninos maiores estavam implicando e batendo nele”.

O garotinho é negro e possivelmente já vive as armarguras do preconceito, do racismo, que muita gente faz questão de negar. “Não existe racismo no Brasil”. Quem diz isso não é negro, não é amigo de verdade de pessoas negras. Se fosse, saberia ao menos um pouco do que elas vivem todos os dias.

Logo, talvez ele tivesse, sim, uma raiva acumulada, uma dor o corroendo e ao revirar tudo foi a forma que ele encontrou de pedir ajuda. De pedir socorro. Com 7 anos não há maturidade suficiente para lidar com frustrações da forma que a sociedade deseja. Aquela criança quieta, que não se rebela contra o que a incomoda, pode estar lidando de forma ainda pior, carregando aquilo para toda a sua vida. E vocês batendo palmas!!! Porque “fulano não reage, fulana é quietinha, uma princesa!”. Vai saber o que faz esta criança calar sua voz. Vai saber o que faz uma criança ter um dia de fúria.

Esta ilustração do Vini Oliveira diz muito sobre o momento social que vivemos: não sabemos nada sobre a vida do outro, mas estamos prontos para julgar. Somos todos juízes.

ilustração de Vini Oliveira - Socialismo ou barbárie

Socialismo ou barbárie – Vini Oliveira

“Sou cristão, mas não sei exercer o amor, nem os ensinamentos de Cristo!” Nossa sociedade é isso, pronta pra apontar o argueiro no olho do irmão, sem enxergar a trave enorme no próprio olho.

Bandidos são vocês que julgam e condenam uma criança de 7 anos e uma mãe por negligência, sem nem sequer se colocar no lugar. Bandidos são vocês que defendem “dar uma surra pra resolver”, mas que no dia a dia perdem a cabeça e fazem coisas mil vezes piores.

Todo o meu apoio à esta mãe, à esta família. Um abraço gigante neste pequeno. Mais amor e menos juízes, por favor!

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