Fórmula é coisa de pobre

Pobre fazendo pobrice. Você, muito provavelmente, leu por aí uma mulher apontando a amamentação como atividade de pobre que não tem condições de comprar fórmulas lácteas. Não bastassem todas as afirmativas facilmente questionáveis utilizadas pela “mãe e estudante de veterinária”, ela usou a foto de uma mãe amamentando sua filha (eu processava) enquanto pedalava. Foto maravilhosa, diga-se de passagem.

É claro que isso repercutiu muito. Deu muito o que falar, levantou questionamentos importantes e outros nem tanto. Ela só conseguiu fama e uma legião de inimigas virtuais. Logo, já tem uma vastidão de conteúdos interessantes circulando na internet desmistificando o que ela fala, por exemplo, da qualidade da fórmula ser igual a do leite materno e que sua filha é muito saudável (a gente não sabe se permanecerá).

Até porque taxar o aleitamento como coisa de pobre é, no mínimo, interessante visto que aleitamento é coisa de mamífero e nos iguala independente da classe social. Portanto, vou me ater a outro destaque da fala desta “grande pensadora contemporânea”: amamentar é coisa de pobre.

Fórmula é coisa de pobre! E eu explico.

A indústria láctea chegou ao Brasil, e a outros países subdesenvolvidos, quando a taxa de natalidade nos países de primeiro mundo começou a cair após a segunda-guerra mundial por causa do uso de anticoncepcionais. Ela precisava ser mais demandada e, portanto, precisava criar esta demanda.

Chegou aqui oferecendo suas fórmulas lácteas de porta em porta, dando pequenas porções de graça e com a ajuda de profissionais de saúde e publicidade agressiva, passou a convencer mães da necessidade que elas não tinham daquele produto. “O leite materno não é bom o suficiente, as fórmulas são mais nutritivas e adequadas aos bebês, você terá mais tempo para você”.

Começando por estados da região nordeste, a Nestlé convenceu muitas e muitas mães com estes argumentos. Assim como havia feito em países do primeiro mundo, onde durante todas as descobertas sobre as propriedades de leites de vaca e artificiais muitas crianças morreram ou não se desenvolveram corretamente.

O que me lembra também de como as fórmulas se popularizaram no hemisfério norte (a maioria dos países ricos estão lá). As mulheres descobriram que, mesmo sendo menos que os homens, o salário pago a elas nas fábricas seria maior do que elas recebiam para ser amas de leite.

A indústria, interessada nesta mão-de-obra, passou a investir nas pesquisas para desenvolvimento de produtos alimentares que substituíssem o leite materno. Assim, atenderiam vários públicos: os das mulheres ricas que necessitavam das amas e agora não tinham mais, os das mulheres camponesas que passaram a ir para as cidades trabalhar, o da própria indústria que precisava de mais mão-de-obra (de baixo custo, diga-se de passagem).

Em resumo, a indústria láctea se desenvolveu em cima das necessidades da população de baixa renda nos países ricos e cresceu em países subdesenvolvidos como o Brasil (da época) após o convencimento da população com menos instrução e poder aquisitivo, facilmente convencida com “brindes” e propagandas massivas.

PARENTESES: quero deixar claro que não condeno quem tenha decidido alimentar o filho apenas por fórmula por fazer uso do seu livre-arbítrio, tão pouco aquelas que não tiveram se não esta escolha diante das suas possibilidades, necessidades e informações.

O perfil histórico apresentado acima é muito breve, um resumo do resumo, extraído de alguns estudos levantados durante o curso que fiz em 2015 de Manejo em Aleitamento Materno.

Contado isto, apresento para vocês:

POBRES FAZENDO POBRICES

Gwen Stefani

 

  Alanis Morissette

 

Giselle Bündchen

Gisele Bündchen

  Luisa Mell

 

Fernanda Lima

  Carolina Ferraz

Carolina Ferraz

 

Luciana Mello

  Nivea Stelmann

Por último, porém não menos importante a P!nk de quem sou fã desde a adolescência e adorei vê-la neste retrato mais puro da maternidade.

P!nk

Minha diva mãe apagou o instagram por causa da política de privacidade

Minha diva e mãe-inspiração apagou o instagram por causa da política de privacidade

Sabe o que estas famosas todas têm em comum com aquela mulher, da qual prefiro não falar o nome? NADA! Aquela mulher não é rica, ela se acha rica porque consegue pagar R$ 36 numa lata de Nan e tem um convênio de saúde. Ela se acha boa mãe porque nunca ofereceu o peito para a sua filha e ainda se acha uma mulher porque “não fica expondo as tetas”.

Essa mulher precisa de informação, muita informação. Se ainda assim ela achar a amamentação algo dispensável, pelo menos vai pensar melhor antes de falar besteira na internet (é o que a gente espera da humanidade).

“Não vê ninguém amamentando em restaurante chique”

Mãe é constrangida por amamentar em restaurante na zona Leste e grupo faz mamaço

Não queria me estender neste assunto, mas ela teve a capacidade de falar que ninguém vê mulher amamentando em restaurante chique logo após o mamaço que teve por uma mãe ter sido constrangida por amamentar seu filho em um Coco-Bambu. Conhecendo Teresina e conhecendo o Coco-Bambu, só posso concluir que se trata de um restaurante chique.

 

3 comments

  1. Nazaré Brito says:

    Parabéns pelo blog!
    Para as mães que querem esclarecimento sobre aleitamento materno e comportamento dos seus bebês e também cuidados práticos, deixo o endereço do meu site e canal no youtube. Vocês vão encontrar orientações que vão ajudar muito!
    Desejo a todas felicidades e que cada dupla descubra seu caminho dentro de suas características.

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