O ano 15 mais sinistro da História – retrospectiva Me Sinto Grávida

Como falar desse ano que ainda nem terminou e eu já considero pakas? Este 2015 foi um ano e tanto para mim, assim como os anteriores, desde que me tornei mãe, cheio dos altos (muito altos) e baixos (muito baixos). Bem no comecinho saí oficialmente do trabalho que passou a me constranger por ser mãe. Naquele momento, decidi que não mais trabalharia com comunicação. Me dedicaria aos meus filhos e à vida de doula.

Aproveitei para me dar férias e levar as crianças para conhecer o mar. Só Deus sabe como isso não foi lá a melhor escolha. Viajar sozinha e com dois bebês a tira-colo foi um suplício. Sim, tive ajuda. Mas foi cansativo a ponto de eu desejar não mais estar de férias. Fomos Beatriz, Artur e eu para o Rio Grande do Norte exercitar o amor e a paciência.

Só muito amor numa imagem!

Só muito amor numa imagem!

Fora que durante as férias só usei fraldas de pano. Ainda teve essa! Lavar fralda de pano na casa dos outros durante as férias. Difícil! Artur estava com alergia à fralda descartável. Me descobri completamente natureba adotando fraldas de pano e itens de higiene alternativos.

Ostentação da mãe ecológica moderna ahahha

Ostentação da mãe ecológica moderna ahahha

Quando voltei, passei a atuar mais ativamente como doula. Vivi experiências incríveis e acabei indo parar como sócia da mana Bianca Puglia na Livre Maternagem. Vi alguns bebês nascerem, me renovei muitas vezes neste período e encontrei apoio para levar adiante o profissionalismo da doulagem. Aproveito para agradecer a cada uma das famílias que me receberam e me possibilitaram estar em um dos momentos mais íntimos da vida de uma pessoa: o nascimento de um filho.

Nesta mesma maré, fiz o curso de manejo em aleitamento materno onde aprendi ainda mais sobre o meu trabalho como doula e conheci mulheres incríveis. Inclusive, duas delas passaram a integrar a equipe da Livre Maternagem recentemente, Lívia e Nina <3. Facilitei alguns encontros da Roda de Gestantes do HUB e ali pude ver muita diversidade em maternagem. Fez muita diferença na minha visão de mundo.

Finalmente, saí da vida de condomínio e apartamento. Voltei pro bairro onde cresci. Nos mudamos para uma casa confortável e tem sido ótimo conviver ali com as crianças. Outra vida! Sou muito grata pela vida nos ter dado esta oportunidade. Estamos há 7 meses morando no novo lar, mas é como se nunca tivéssemos vivido em outro lugar senão uma casa.

Quarto novo

Quarto novo

Mas a vida é mesmo cheia de surpresas e nem havia chegado ao meio do ano ainda quando começaram a surgir muitos convites de trabalho com social media. Parece peça do destino, só porque eu havia dito que não trabalharia mais com comunicação. Teve um lugar que me fez sentir acolhida e motivada novamente a trabalhar na área, então aceitei o desafio que era por tempo determinado, mas acabei ficando além do previsto. Voltei a enxergar sentido neste tipo de trabalho e estou muito feliz com o meu emprego.

Mesmo estando como social media, ainda atendi a algumas mulheres no parto. Vi a filha de um grande amigo da adolescência nascer, presente que só mesmo a doulagem nos dá. No mesmo dia, às 4h da madrugada, após longas horas de trabalho de parto, o carro quebra comigo e com a fotógrafa no meio do Eixo Monumental. Tive muito medo de ver mais uma fotógrafa ser assaltada. O parto anterior que acompanhara teve esta desagradável surpresa, um viciado roubou a câmera da amiga/fotógrafa/doula Kath. Aquilo foi bem marcante. Eita 2015! E ainda estávamos em abril. Mas deu tudo certo, o guincho chegou e eu fiz uma nova amiga fotógrafa.

Pela primeira vez acompanhei as crianças em um espetáculo infantil. Tinha muito medo de levá-las para eventos que requeressem o mínimo de concentração e silêncio. Mas o Disney on Ice foi mesmo uma grata surpresa. Elas adoraram, se comportaram e todos nós nos divertimos.

Eu, minha mãe, Artur e Bia no show

o quarteto no Disney on Ice

Por falar em gratas surpresas, uma delas foi Beatriz ter finalmente desfraldado. O processo começou no final de 2014 e já no meio de 2015 ela já havia se tornado uma mocinha que controlava o xixi e o cocô para ir ao vaso, onde quer que estivéssemos. Na verdade, no começo do ano, já a considerávamos desfraldada, mas sem acidente algum só no meio do ano mesmo.

Na casa da Tia Jôsi com direito à "leitura dinâmica"

Na casa da Tia Jôsi com direito à “leitura dinâmica”

Por outro lado, Artur estava cada vez mais dependente da amamentação noturna. Eu estava sempre exausta e muitas das vezes mau humorada por causa do cansaço. Cansaço, não, esgotamento mesmo. Isso me fez refletir sobre o mundo cor-de-rosa que pintam a respeito da maternidade, especialmente sobre a amamentação. Na verdade, tudo tem seus altos e baixos.

Estas reflexões também me levaram a concluir que: as mães precisam de espaço para ser quem são, algo além da simples (nada simples) maternidade. Melhor falar por mim, né?! Percebi que eu precisava de espaço para exercer minha existência além dos cuidados com os filhos, trabalho, marido e casa. Com o pai das crianças sempre viajando, eu estava sufocada em afazeres domésticos, gripes das crianças e atenção a elas. Fora o trabalho, fora toda a cobrança. Resolvi que passaria a fugir um pouco dessa rotina.

Turistando com uma amiga

Turistando com uma amiga

Nisso, aceitei o convite do marido para ir à conferência internacional que ele vai todos os anos para poder fazer a cobertura para os meios digitais. Minha primeira grande viagem internacional, a trabalho e completamente sem filhos. Houve todo um planejamento, especialmente a respeito das crianças. Seriam dez dias longe delas.

Desde o nascimento da Beatriz, só houve duas ocasiões que não estive com ela por mais do que 12 horas: nascimento do Artur e uma palestra que dei em São Paulo com Artur no sling. Fomos para os EUA. Atravessamos aquele continente na horizontal umas duas vezes. Eu falava com eles todos os dias por vídeoconferência. Eles estavam se divertindo com os avós, eu estava com o coração saudoso, mas feliz pela oportunidade. Com a viagem, veio o inevitável desmame do Artur.

Conversando pelo Hangouts

Conversando pelo Hangouts

Confesso que muita coisa melhorou desde então. Passei a dormir melhor, aos poucos ele também. Isso me deu um ganho na paciência do dia-a-dia. Apesar de ser freneticamente testada à exaustão, nós estamos no saindo bem – no geral. Isso tem me feito me enxergar mais, me permitiu, de certa forma, ter uma visão periférica de mim mesma. Isso foi bem dolorido, conforme eu fui me descolando do papel de mãe exclusivamente, fui percebendo o quanto estava distante de mim mesma. Isso me deixou triste por um longo período, mas ainda bem que passou.

E agora eu posso estar aqui relembrando algumas das aventuras e desventuras deste que já posso dizer: é o ano 15 mais sinistro da História. Claro, há muito mais nesse novelo para relembrar, mas isso eu deixo como histórias para contar para os netos. Um muito obrigado a quem fez deste um ano memorável. Minha família, meus amigos, colegas de trabalho, parceiros do blog e uma pancada de gente que não teria espaço nesta big data para citar todo mundo. Espero que 2016 nos reserve mais surpresas boas, aprendizados e grana, man! Nos encontramos em breve!

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