Mãe de menino ou mãe de menina, simplesmente mãe

Ser mãe de menino é diferente de ser mãe de menina? Confesso o meu erro em acreditar lá no passado, antes de me tornar mãe, nesta diferença escabrosa, sim. Mas a maternidade ensina muitas coisas, especialmente quando você se engaja nela e uma dessas coisas é a não segregação dos nossos filhos por conta do sexo. A amiga Michelle pediu minha opinião a respeito de uns textos dentro desta temática que circularam na rede esta semana.

Resolvi escrever a respeito porque considero este tema muito pertinente. Sou mãe de uma menina, Beatriz (3 anos e 4 meses), e de um menino, Artur (1 ano e 10 meses). A questão da luta por igualdade de gênero sempre me foi importante, mas ao me tornar mãe virou quase uma missão na vida e ela diz respeito ao tratamento e à educação dada aos meus filhos.

Biologicamente, eu os diferencio pelos seus órgãos sexuais. Dou o nome a cada um, por ora de forma infantilizada: pipiu de menino e pepeca de menina. Nisto, apenas para ajudá-los a identificar e compreender sua formatação física diferente entre eles. Se lá na frente, a forma orgânica não falar mais alto do que seu coração e sua cabeça, estarei lá para apoia-los.

De resto, não diferencio em nada.  Não precisa ser azul pra ele e rosa pra ela. Bola pra ele e boneca pra ela. Eles são livres para serem crianças, sem os estigmas impostos pela sociedade.  Na minha casa não tem essa de ser mais delicada por ser menina, de ser bruto por ser menino. Ambos tem que respeitar e saber se defender, por igual. Eu não ensino a minha filha a se esconder de um menino. Eu ensino ao meu filho a não causar motivos em uma menina pra ela ter que se esconder.

Artur e Beatriz na piscina

Ele de rosa e ela de azul, porque sim!

Ser mãe é difícil independente do sexo dos filhos, especialmente quando tratamos os dois de forma igual. Assim, gostaria de responder ponto a ponto o texto da Patricia, da qual eu respeito completamente a forma de pensar, até porque é a experiência dela.

  1. as amizades entre meninas só são tensas se nós, como sociedade, alimentamos esta absurda ideia de que mulheres são rivais. Nós devemos é nos apegar ao “juntas somos mais fortes” e seguir juntas.
  2. não sei de onde veio essa ideia de meninos são tranquilos. Meu irmão mais novo sempre foi mais mau-humorado do que eu, tal qual a minha irmã mais velha. Meu irmão do meio e eu éramos os mais tranquilos. Ou seja, isso varia de pessoa pra pessoa e não de gênero pra gênero.
  3. a objetividade na hora de se vestir para os meninos e a não-objetividade para as meninas estão relacionadas pura e simplesmente à criação: eu não tenho paciência pra firula. Seja pra ela, seja pra ele. Além da criação, tem essa coisa do consumo de moda ser voltado para mulheres, isso está mudando. Tenho muitos amigos que demoram mais do que muitas mulheres para se ‘vestirem’.
  4. acredito que esta excessividade em postar selfies também seja inerente à pessoa e não ao gênero. Às vezes na minha timeline está tomada de fotos de um determinado amigo.
  5. eu fui criada em pé de igualdade com meu irmão mais novo. Jogava futebol, jogava videogame e soltava pipa na rua. Ao mesmo tempo ele brincava com minhas bonecas. Esse negócio de festa de menina ter spa e ser focada em padrões de belezas diz muito mais sobre o que a sociedade de consumo impõe e a gente compra sem questionar. Na minha casa não vai ter isso!
  6. nem preciso dizer que na minha casa tem umas 30 bolas diferentes e a maioria é da Beatriz. Eu gostava mais de futebol do que de bonecas. Por que não fui impedida disso. Farei o mesmo pela minha filha.
  7. quantas vezes já não discuti com um amiga a ponto de querermos nos bater e logo em seguida estarmos abraçadas?! Mais uma vez, essa rivalidade e remorso é coisa que impõe às mulheres. Não vamos incentivar isso!
  8. troque canetinhas e carimbos por carrinhos hotweels e teremos o mesmo nível de exigência.
  9. objetividade, praticidade, tranquilidade, simplicidade estão relacionadas à personalidade, não ao gênero. Muitas vezes esta personalidade é moldada por nós e pela busca de aceitação às exigências da sociedade de consumo.

Se tratarmos meninas e meninos de forma igual, a maternidade de ambos será igualmente complexa, sim.