Alerta: mãe surtada – a culpa!

Surtei! Esta semana, durante uma conversa com amigas, uma luz de alerta se acendeu dentro de mim e a mente foi embora. Fiquei muda boa parte da conversa, apenas observando, analisando e comparando aquelas experiências maternas às minhas. Que dor! Fui tomada por um sentimento de culpa indescritível e eu não via a hora de sair dali.  No caminho, a cabeça ainda fervilhando.

Cheguei em casa e já do portão percebi que os meninos estavam dormindo. Dor, eu só os tinha visto um pouco pela manhã. Todas as luzes da casa estavam apagadas. Entrei com cuidado, em silêncio e fui procurar comida, ver qual havia sido o jantar. Havia sido pizza. Vez ou outra comemos pizza em casa, mas naquele dia foi como a gota d’água. O pai me contando que havia sido muito difícil fazê-los dormir, que perdeu a paciência. Tudo só aumentava minha dor, aumentava a culpa que eu estava sentindo.

Fui me deitar, mas a cabeça não parava. Os pensamentos, os medos, as dúvidas, as certezas, tudo se transformou em lágrimas num choro incontrolável de desespero e ainda assim alívio. De certa forma, o choro me permitiu parar de racionalizar um pouco e eu passei a simplesmente a sentir aqueles sentimentos todos. Tudo doía!

Eu senti culpa por não estar mais presente, por não ter largado o trabalho para cuidar dos filhos. Me senti culpada por não ser uma mãe prendada que cozinha várias vezes ao dia, comidas naturais livres de todo o lixo tóxico das indústrias alimentícias. Me senti culpada por todas as vezes que muito cansada perdi a paciência e gritei com eles. Me senti culpada por defender uma vida mais natural, mas está sempre tão conectada. Me senti culpada por não ter entrado numa lista de espera imensa, pra pagar uma fortuna de escola para que os meus filhos tivessem contato com métodos pedagógicos diferenciados. Me senti culpada por não ter dado beijo de boa noite naquele dia. […] Muitas lágrimas e reflexões, afinal.

Foi uma catarse comigo mesma!

O marido veio conversar, entender o que estava acontecendo e me ajudou a colocar a cabeça um pouco no lugar. Às vezes estamos tão imersas na suposta felicidade alheia, que não percebemos os detalhes entregando um mundo fantasioso publicado em fotos felizes na internet. Você olha a outra mãe, ela sempre fala de felicidade. Tudo é tão feliz! É inevitável a comparação. Você se volta pra sua vida e começa a se perguntar por que tudo dá tão errado? Por que você está tão cansada e a outra não? Por que? Por que?

Mas cada família um universo e por trás de um sorriso numa foto, podem ter muitas lágrimas, dificuldades e culpas como estas que estou expondo aqui. Muita gente me acha a mãe perfeita, eu sei disso. Sempre tem alguém pra falar. A maioria não sabe dos meus problemas, das minhas angústias. Enfim! Percebi em mim o parâmetro de felicidade alheio que eu invejava. Ninguém é 100% feliz e ninguém é obrigado a demonstrar suas fraquezas. Por isso o universo da maternidade parece tão bonito para quem olha de fora. Mas dentro, verdadeiramente pode ser o caos.

Foi bom!

Muitas lições a gente só aprende assim, quando a pressão aumenta e nos empurra pra frente. Consegui enxergar o que eu definitivamente estava com o controle e poderia melhorar. Por exemplo, estar presente na presença. Não adianta nada passar 24 horas por dia com os filhos se estou 100% do tempo no celular, nos problemas do mundo ou do trabalho. A presença de qualidade é o mais importante, que seja 20 minutos, 1 hora. Mas presente mesmo, de corpo e alma.

Foi por isso que ontem lavamos louça juntos. Uma tarefa de rotina, que eu faria sozinha e correndo contra o tempo, tendo as crianças disputando minha atenção com a louça e com o celular, se tornou um momento divertido entre mim e as crias.

Aprendendo trabalhando.. #maededois #maternidadereal

Um vídeo publicado por Blog Me Sinto Grávida (@mesintogravida) em

A escola atual das crianças atende às nossas necessidades como família e percebi que não preciso me desdobrar em mil para os meninos estarem na mesma escola que os filhos das amigas. Terra pra pisar e plantar temos em casa. Árvores para subir basta ir à casa dos meus pais a menos de 1km de distância. Conviver com gente de classes menos favorecidas, de ideologias alternativas, homossexuais, com deficiência, enfim, com o diferente nós já convivemos naturalmente. Na minha rua tem gente rica e tem gente pobre. Na minha família tem negro, branco, índio. Meus amigos então são uma mistura de gente das mais maravilhosas. Enfim, a vida se encarregou de não nos privar desse tipo de convivência, assim como nossos filhos.

E isso não é uma crítica a quem recorre à escola em busca desse tipo de convivência, pelo contrário, acho maravilhoso que as pessoas se preocupem com isso mesmo quando sua classe social ou qualquer outro status não as exijam isso. Porém, no caso da minha família isso já faz parte do cotidiano. O além disso, nós como pais podemos suprir.

A questão alimentar cabe mesmo a nós, como provedores do lar, resolver. E estamos começando a melhorar isso. Então não foi ruim ver a foto da lancheira do filho da amiga cheia de alimentos naturais e frescos. Foi um ponto motivador. Porque às vezes imaginamos a complexidade de servir uma alimentação de qualidade e nem nos atentamos que pode ser muito simples.

Não se culpe

Ou se culpe e reflita o que realmente é mesmo digno de culpa. Tenho certeza que a maioria de nós erra tentando acertar, então… Melhore o que precisa ser melhorado, mas não se abata ou se sinta uma mãe pior do que qualquer outra. 🙂

2 comments

Responder