Escola não é depósito de criança

Lembro-me até hoje da diretora da escola de ensino fundamental, onde estudei, falando: “tem pai que acha a escola um depósito de criança. Isso aqui não pode ser um depósito de criança, não”. Eu estava na 6ª série e minha mãe estava lá, naquela reunião, como sempre esteve em todas as outras. Minha mãe participava ativamente na escola. Comparecia a todas as reuniões, festas, campeonatos e ainda era membro da Associação de Pais e Mestres. Mas minha mãe era uma das poucas.

A realidade de cada família é diferente e sei muito bem da existência de chefes profissionais em constranger e assediar pais dedicados e presentes na vida do filho. “Ontem o menino estava com febre, hoje vem com essa história de reunião escolar. Inventa outra desculpa!”. Provavelmente, é o tipo de criatura que:

a) os pais nunca foram presentes;

b) não tem filhos;

c) se tem filhos, terceiriza a educação deles;

d) concorda que a escola é um lugar para deixar as crianças enquanto trabalha.

Podendo ser uma ou várias das opções acima, nem precisa ser chefe. Pode ser só um colega de trabalho daqueles mais rabugentos. Enfim! Temos de ir contra isso. Sei, porque tive muita sorte e tenho noção do quanto fui beneficiada ao ter uma mãe presente e parceira da escola que, por ser pública, ainda conta com mais uma infinidade de obstáculos na educação das crianças.

Então, hoje, aconteceu a primeira reunião pedagógica da escola das crianças do ano. Eu sempre vou, participo como boa ouvinte que sou. Apenas! Mas desta vez fiz diferente, fui munida dessa bagagem histórica da minha própria formação e com várias ponderações a fazer.

Como disse recentemente num post sobre a culpa, a escola das crianças não é dessas alternativas seguidoras da pedagogia Waldorf ou Montessori, mas atende muito bem a nossa necessidade quanto família. Tem seus defeitos e suas qualidades. E, de verdade, eu gosto muito dela e sei que as crianças também.

Enquanto ouvia da coordenadora a necessidade da participação mais ativa dos pais – a reunião da manhã era para duas turmas de 6 e 7 alunos, mas só tinha uma mãe e eu – lembrei-me da minha mãe. Após ouvir, concordar, dialogar sobre a pedagogia da escola, sobre questões específicas dos meus dois filhos, resolvi levantar algumas questões que podem tornar aquela escola ‘perfeita’ tanto para as nossas necessidades, como para a forma como educamos nossos filhos.

Me disponibilizei a participar presencialmente, caso ela absorvesse alguma daquelas sugestões, das quais pretendo falar individualmente em outros posts aqui. Vi que ela se animou porque é raro receber sugestões, ou se recebe logo críticas (no geral nada construtivas) ou se recebe o silêncio (a ausência dos pais), e ainda alguém disposto a contribuir ativamente com ambiente escolar.

De certa forma, saí da escola mais aliviada por ter redescoberto meu papel como também educadora dos meus filhos. Não é algo exclusivo da escola. É da família, principalmente. Em parceria com a escola isso pode ser ainda mais promissor e acho que vale a reflexão para todas nós: seja voz ativa, seja presente. Apenas levar e buscar na escola não garante nossa participação efetiva na vida escolar dos nossos filhos.