Retorno: maternidade não é felicidade

Já faz um tempo que não escrevo. Eu poderia colocar a culpa na correria em que é e está a vida, mas vou ser muito sincera quanto aos motivos. Bom, pelo menos aqueles dos quais desconfio. Quando a gente gosta de escrever, ainda mais sobre aquilo que nos apetece, tudo flui naturalmente.

É esta a questão! Não estava me apetecendo.

A maternidade nos exige muito. Não é só sobre dormir ou não noites inteiras, ou sobre o esforço físico e mental despendidos. A exigência materna transgride limites muitas vezes desconhecidos, especialmente em relação ao nosso emocional. Vai nos sugando pouco a pouco. Nem nos damos conta. Ainda mais quando somos recompensadas com as sutilezas da vida. Apenas seguimos, entre idas e vindas.

Por vezes, as idas acabam sendo mais do que as vindas. Você não se realiza na maternidade. Amar ser mãe não é sinônimo de felicidade. Há dias melhores. Há dias piores. Mas dizer “sou mãe e sou feliz 100% do tempo por isso”, não soa real. Podemos ser gratas pelos presentes que são nossos filhos, podemos amá-los incondicionalmente, podemos nos colocar em segundo plano sem sentir qualquer incômodo. Podemos ser a melhor mãe do nosso convívio e, ainda assim, estar infeliz.

A infelicidade pode ser consequência da maternidade. Como, também, a soma de vários aspectos da nossa existência que parecem não se encaixar. As causas são infinitas. O ponto é: a maternidade não soluciona a infelicidade. Ela não é a vilã, mas nem de longe é a heroína.

Sendo bem sincera, muito disso vem dos sentimentos de culpa envoltos à maternidade. Nos cobramos muito, mas nem sempre conseguimos superar nossas próprias expectativas. Ah! E essas nossas expectativas, muitas vezes estratosféricas, nos exigindo ser mais do que precisamos. Com isto, é fácil chegar à exaustão a ponto de pensar: eu não nasci para ser mãe.

Foi o que me ocorreu. Estava muito cansada para falar sobre este mundo, muitas vezes utopicamente pintado de rosa, que é a maternidade. Continuei sendo mãe. Só não quis mais falar sobre isso. Este tempo longe daqui, me colocou longe das rodas maternas, das amigas que fiz pela maternidade. Estava redescobrindo a Jéssica antes de ser mãe. Ser a Jéssica me ajuda a ser a mãe da Bia e do Artur. Eu precisava desse tempo e agora estou de volta.

Agradeço a quem permaneceu por aqui e desculpa os comentários que respondi quase um ano depois.

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