Um papo sincero sobre amamentação

Começou hoje a Semana Mundial do Aleitamento Materno e ver as postagens de algumas pessoas a respeito do tema me fez voltar às minhas próprias experiências. Há quase dois anos não amamento mais. Muita coisa mudou desde então. Não só pelo fato das crianças crescerem, mas a respeito da rotina também.

Acabei de colocá-los para dormir. O ritual é o mesmo desde sei lá quando. Jantar, reduz o ritmo, banho e cama. Quando chega o momento da cama, às vezes rola deitar junto e cantar as mesmas canções desde que a primogênita veio ao mundo e eu não conhecia nenhuma música de ninar. Vai “Garota de Ipanema“, “Samba de Verão”, “Corcovado” e mais alguns clássicos da MPB. Em outras vezes, ler alguma historinha bem curta. Às vezes, nem isso. Ligo a caixinha de som, coloco uma playlist de músicas para dormir, dou beijo e tchau. A vida segue seu ritmo e, fora as intercorrências, a gente volta a se ver no outro dia de manhã.

Quando amamentava, não era bem assim que as coisas fluíam. Era peito para fazer dormir; às vezes dormia e dava até para ir ao banheiro. Noutras era peito sem parar, noite adentro. Estas coisas, que ninguém nunca fala pra gente. Para o bem da minha sanidade mental, descobri ainda com a primeira filha a benção que é amamentar deitada. Não tem prejuízo pra ninguém. Eu durmo, a cria mama, ninguém se estressa e ficamos todos satisfeitos.

Amamentação noturna deveria ser tema de diversos livros, filmes, artigos, para a galera se informar. Nada daquela história de Super Nanny ou da Tracy Hogg com o seu manual “A encantadora de bebês“. Relatos reais de como é a vida da mãe que amamenta em livre demanda, quais seus segredinho para sobreviver ao outro dia, enfim. Coisa útil e humana de verdade.

Vocês sabem que a primeira filha passou pelos traumas propostos pela Encantadora de bebês, né? Me julguem! Mãe de primeira viagem escuta palpites demais e tem tempo de menos pra discernir tudo. Mas superamos isso. Ela mamou em livre demanda até os 14 meses, quando largou o peito por conta própria.

Para ser bem sincera, Beatriz não me deu trabalho algum com a amamentação. A gente se acertou ainda nos primeiros dias. Não foi de primeira, mas nos entendemos com razoável agilidade. Bia era um bebê pacífico demais, maravilhoso demais. Sério. Eu não sabia o que era passar noites em claro ou amamentando sem fim.

Mas daí veio o segundo filho. Eu, com toda aquela confiança de quem já amamentou, dei com a porta na cara. Não é fácil, não!!! O menino não mamava bem, a gente não acertava a pega, era um chororô desgramado. Fui à uma consultora, fizemos uns exercícios, a coisa foi se ajeitando. Mas o menino mamava muito. Dia e noite sem parar.

Mas me sentia incrível pois: magra e peituda.

Nesta época eu emagreci mesmo. Eu nem conseguia comer direito. O menino na teta o tempo todo. Sei lá se era normal ou não. Eu estava sempre exausta e ele uma bola. Eu queria menos daquilo. Ele comia de dia e mamava também. Quando voltei ao trabalho, era o tempo inteiro indo ao banheiro [acompanhada da bombinha extratora] porque os peitos vazavam e doíam horrores. Fora o leite que eu já deixava em casa para ele.

À noite a mesma coisa. Mamava sem parar nem para descansar o lado do corpo que estava recostado na cama. Por duas vezes, durante o dia, eu o deixei cair dos meus braços enquanto amamentava porque estava exausta e simplesmente apagava. Numa das vezes fomos parar no hospital. Nada grave, mas o menino caiu da cama, né?!

Quando ele estava perto de fazer dois anos, precisei fazer uma viagem longa. Fui feliz e contente. Ele já não mamava tanto durante o dia, mas o sono à noite era uma derrota. Peito, peito, peito, peito! Me tranquilizava quando minha mãe falava: “tudo bem, dormiu à noite toda”. Comigo não era assim, não. Dez dias depois, quando cheguei, ele veio meio sem jeito querer mamar e eu mudei de foco. Uma única vez e pronto, o menino estava desmamado. QUE PAZ, SEM OR!

Entretanto, sempre que vejo alguém amamentando tenho a mesma sensação de quando era lactante: os seios parecem se encher de leite. Algo provocado pela ocitocina do momento. Obviamente, aqui não rola mais leite, mas a memória do corpo a respeito daquela sensação é bem nítida para mim.

Eu amamentaria quantas vezes fossem necessárias [não rolarão of course] por saber dos benefícios, por saber que sou capaz, por conhecer as vantagens que aquilo proporciona além da questão da saúde da mãe e do bebê. Enfim. Mas posso dizer com certeza, essa marimba não é fácil de segurar, não.

Por isso recomendo a leitura desse texto “Os altos e baixos da amamentação.”

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