Sobre ser madrasta e ser boa.

Há algum tempo tenho sentido na pele o peso da palavra madrasta. Desde que comecei a namorar meu marido percebi que não seria tão simples “comprar” o pacote gold de marido+com filho. Junto com o enteado vem a sombra do relacionamento anterior que mesmo terminado pode conter climão. Nem sempre a mãe da criança vê a nova esposa do ex marido como uma aliada. Arrisco dizer que na maioria das vezes a vê como uma inimiga mesmo. Aquela que quer tomar seu lugar como mãe do(a) pequeno(a).
Antônio hoje tem 8 anos. Eu o conheci aos 4 para 5 anos. Foi uma relação construída. No começo eu levei até o assunto para minha psicóloga, afinal eu estava entrando numa relação com um homem que já tinha uma criança e eu louca pra ser mãe. Colocados os devidos pontos parti para o conhecimento daquele serzinho.

Quando digo que foi uma relação construída significa dizer que me tornei um adulto referência para ele naturalmente. Nenhum sentimento foi suprimido ou criado. Em nenhum momento houve uma pretensão de me tornar mãe dele. Quando você “ganha” um(a) enteado(a) você ganha uma criança, isso é um fato. É uma espécie de invasão na sua vida a dois e isso também é outro fato incontestável. Mas essa criança já estava aí quando você chegou. Os amores são distintos e você não deve nem precisa competir com ela.
Com o tempo o amor construído entre madrasta e enteado (a) começa a enfrentar os preconceitos da sociedade. Não sei se pelos filmes da Disney (eu realmente acho que não é) ou outro motivo, mas as madrastas são mesmo vistas como más, ruins. A sociedade meio que espera que essa mulher seja chata, não goste do enteado, que faça maldades com ele. Engraçado é que a mesma palavra em inglês não traz essa carga pejorativa, traz mais uma ligação com a mãe. Stepmother seria como uma mãe postiça, o que ao meu ver mostra mais a realidade da vida de madrasta.
Prefiro ser a mãe postiça. Aquela que penteia o cabelo dele quando ele sai do banho, a que brinca, que faz piada, a que repreende com o auxílio do pai, aquela que participa da educação deste pequeno ser com a responsabilidade de ser um adulto referência, mas nunca se colocando na posição de mãe. Essa posição é sagrada, só tem uma dona e nunca terá outra.
E quando as pessoas me veêm com ele e dizem “Que bom que vocês se dão tão bem” eu logo respondo: “E não teria como diferente”.